Estados Unidos e Israel formalizaram, na quarta-feira (1º), um acordo que destina uma área conhecida como Complexo Allenby, no sul de Jerusalém, à construção da futura sede permanente da embaixada americana na cidade. A cessão do terreno foi assinada pelo chanceler israelense, Gideon Sa'ar, e pelo embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, com a presença do prefeito Moshe Lion.
Durante a cerimônia, os representantes descreveram o gesto como um marco histórico e definitivo para a relação bilateral. Huckabee declarou que a nova estrutura funcionará como o centro das atividades diplomáticas americanas no país e reforçou o reconhecimento da cidade comocapital eterna do povo judeu.
Segundo o embaixador, a nova estrutura representa "não apenas uma decisão, mas uma decisão irreversível".
O chanceler de Israel reafirmou que o país é o mais importante ativo estratégico de Washington na região, enquanto o prefeito Lion afirmou que a promessa de Trump havia finalmente saído do papel para se tornar concreta.
O contrato prevê arrendamento por 99 anos, renovável, mediante pagamento simbólico de um dólar. Segundo entidades de direitos humanos, o espaço já abrigou um antigo posto da polícia de fronteira israelense e, antes disso, os chamados Quartéis Allenby, remanescentes do período do Mandato Britânico.
Controvérsias legais
Organizações como o centro jurídico Adalah, voltado aos direitos da minoria árabe-palestina em Israel e baseado na cidade israelense de Haifa, sustentam que parte da área destinada à embaixada pertencia a famílias palestinas antes de 1948.
O terreno teria sido confiscado com base na Lei de Propriedade dos Ausentes, de 1950, o que configuraria violação ao direito internacional, que veda a apropriação de bens privados em contextos de ocupação.
As Nações Unidas continuam considerando Jerusalém Oriental parte do território palestino ocupado desde 1967 e defendem que qualquer alteração no status da cidade deve resultar de negociações, não de medidas unilaterais. Por esse motivo, a maior parte dos países ainda mantém suas representações diplomáticas em Tel Aviv.
Promessa de primeiro mandato
O episódio tem raízes na decisão tomada por Donald Trump em dezembro de 2017, quando reconheceu Jerusalém como capital de Israel e determinou a transferência da embaixada, efetivada em 2018.
À época, analistas associaram a medida sobretudo à pressão de eleitores evangélicos conservadores, base política relevante para os republicanos, mais do que a uma estratégia diplomática elaborada.
A decisão gerou condenação generalizada, uma tentativa de resolução do Conselho de Segurança da ONU apoiada por catorze membros — vetada pelos EUA —, além de temores de que dificultasse ainda mais qualquer solução negociada entre israelenses e palestinos.