A guerra contra o Irã causou uma das maiores tensões em anos entre Estados Unidos e Arábia Saudita, depois de Riad se opôs a várias decisões militares de Washington e chegou ao ponto de bloquear temporariamente o uso de suas bases e espaço aéreo para uma operação americana no Estreito de Ormuz, informou na terça-feira (30) Wall Street Journal.
As diferenças começaram antes do conflito. A Arábia Saudita e outros países do Golfo Pérsico tentaram persuadir o governo do presidente Donald Trump a buscar uma solução diplomática para o conflito com a República Islâmica.
No entanto, os EUA iniciaram a guerra, instigados por Israel.
Embora Riad inicialmente tenha permitido o uso de suas bases e espaço aéreo e até mesmo, segundo autoridades citadas pelo jornal, tenha participado posteriormente de ataques contra alvos iranianos, a campanha militar levou a uma retaliação de Teerã contra infraestrutura energética e outros alvos no Golfo, fazendo com que o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman priorizasse a desescalada.
Diferenças estratégicas
As tensões entre Washington e Riad atingiram novos patamares quando Trump anunciou o "Projeto Liberdade", uma operação ostensivamente destinada a proteger o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
Mohammed bin Salman alertou que a missão apenas agravaria as tensões com o Irã e, após supostos ataques iranianos, a Arábia Saudita bloqueou o acesso das forças americanas às suas bases e espaço aéreo, forçando Washington a cancelar a operação.
A Casa Branca respondeu ameaçando atrasar a entrega de interceptores que o reino precisa para se defender contra mísseis e drones iranianos.
A Arábia Saudita acabou suspendendo as restrições, embora o episódio tenha desencadeado conversas tensas entre Trump e o príncipe herdeiro.
A publicação acrescenta que, apesar de ambos os lados terem reiterado publicamente seu compromisso com a aliança bilateral, a guerra destacou as diferenças estratégicas sobre como administrar o conflito com o Irã.