O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, comentou nesta terça-feira (30) sobre as transformações econômicas e sociais que seu governo implementará em breve. As mudanças ocorrem em um contexto marcado pelo endurecimento do bloqueio dos Estados Unidos, em vigor há mais de seis décadas.
"Trata-se, antes de tudo, de salvar a Revolução", declarou o presidente durante uma reunião do Conselho de Ministros. "Estamos diante de um dilema complexo, mas que podemos resolver: como dar continuidade ao processo de construção socialista em uma pequena ilha do Caribe que sofreu o bloqueio mais prolongado da história da humanidade por parte da maior potência do mundo e que, agora, enfrenta um bloqueio ainda mais severo, inclusive no setor energético", complementou.
Na avaliação do mandatário, Havana poderá alcançar esse objetivo "sem rendição, com inteligência, firmeza ideológica, responsabilidade, unidade, coragem e ousadia", pois, segundo ele, essa é a missão das gerações que hoje defendem e participam da construção do socialismo no país caribenho.
Díaz-Canel afirmou que "tudo o que impulsione a ampliação das forças produtivas deve ser aplicado imediatamente" e destacou que os atores econômicos terão um papel central nesse processo, passando a atuar com uma "dinâmica diferente".
"São os atores econômicos da construção socialista, do nosso modelo econômico e social. Portanto, são eles que trabalharão em consonância com o Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social até 2030, com o programa de governo e com as estratégias de desenvolvimento territorial e local", explicou.
Bloqueio econômico e ameaças de Trump
Washington mantém um bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. Desde que o presidente Donald Trump iniciou seu segundo mandato, em janeiro de 2025, os EUA intensificaram sua política de cerco e pressão máxima contra a ilha.
Essa política tem sido acompanhada de graves ameaças, com Trump chegando a declarar que estaria disposto a recorrer ao uso da força, se necessário, para derrubar o governo cubano. Havana, por sua vez, denuncia essas ações como uma estratégia de "genocídio".
Em linha com as denúncias das autoridades cubanas, o governo norte-ameircano, que mantém no Caribe tropas do Comando Sul, admitiu em diversas ocasiões que o objetivo de sua política contra Cuba é impedir qualquer entrada de recursos econômicos em Havana. Também faz parte da estratégia dos EUA o bloqueio do fornecimento de petróleo, essencial para atender às necessidades energéticas da maior ilha das Antilhas.
A situação afeta gravemente a economia cubana, colocando em risco serviços essenciais como energia, eletricidade, saúde, educação, transporte, abastecimento de alimentos e turismo, entre outros.