
Ebola pode levar quase 1 milhão de pessoas para a pobreza, afirma agência da ONU

O atual surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) pode empurrar cerca de 985 mil pessoas para a pobreza e provocar uma crise econômica de até R$ 18,5 bilhões na África, caso seus impactos regionais se intensifiquem.
O alerta foi feito nesta terça-feira (30) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em uma nova avaliação sobre os efeitos da doença.
Segundo o relatório, o atual surto da cepa Bundibugyo, do ebola, ameaça eliminar 55 mil empregos apenas na RDC, reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) do país em mais de US$ 1 bilhão e afetar também economias vizinhas, como Uganda, Ruanda e Sudão do Sul.

"O ebola não para nos portões do hospital. Ele afeta os meios de subsistência, a educação, a segurança alimentar, o comércio, as finanças públicas e a confiança", declarou a diretora regional do PNUD para a África, Ahunna Eziakonwa.
Segundo ela, tratar o surto apenas como uma emergência sanitária significa ignorar uma crise de desenvolvimento muito mais ampla.
O PNUD alertou ainda que o redirecionamento de recursos para o combate ao ebola poderá provocar uma crise secundária na saúde pública. A estimativa é de que a interrupção de serviços médicos resulte em até 2.520 mortes adicionais de crianças por causas não relacionadas à doença.
Balanço do ebola
Dados divulgados pelo Ministério da Comunicação da República Democrática do Congo mostram que, até 28 de junho, o país havia registrado 1.307 casos confirmados de ebola, 377 mortes, 180 pacientes recuperados e 615 pessoas em acompanhamento. A taxa de letalidade é de 28,8%, enquanto o rastreamento de contatos alcança 81,3%.
Diante do cenário, o PNUD defende a adoção de medidas como transferências diretas de renda para famílias vulneráveis, especialmente as chefiadas por mulheres, substituição do fechamento generalizado de fronteiras por protocolos de triagem e a proteção dos investimentos em saúde materna, reprodutiva e infantil durante a resposta ao surto.
