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Lula e OMS alertam para pandemia que pode matar milhões: 'Não vai esperar por nós'

Em nota conjunta, o presidente do Brasil e o líder da OMS, Tedros Adhanom, chamam BRICS, G20 e G7 a atuarem com pressa: "Já sabemos o preço da falta de preparo".
Lula e OMS alertam para pandemia que pode matar milhões: 'Não vai esperar por nós'Gettyimages.ru / Robertus Pudyanto/NurPhoto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, divulgaram nesta segunda-feira (15) uma carta aberta aos líderes do G7, do G20, do BRICS sobre riscos sanitários globais.

No documento, os líderes instam a comunidade internacional a concluir negociações finais do Acordo sobre Pandemias da OMS. "A próxima pandemia não esperará por nós", afirmam.

Eles também citam o atual surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) e alertam que uma nova crise sanitária global pode estar próxima. Então, cobram urgência para evitar que o mundo repita os erros cometidos durante a pandemia de Covid-19.

"Cientistas estimam que haja quase uma chance em quatro de outra pandemia ocorrer na próxima década", afirma o documento.

Entre os fatores que ampliam os riscos, Lula e Tedros destacam alterações no uso da terra, transformações na agricultura e avanços biotecnológicos acompanhados de forma desigual por mecanismos de biossegurança.

Os signatários recordam que a Covid-19 deixou até 20 milhões de mortos em todo o mundo, segundo estimativas da OMS e de outras instituições. Também destacam que a crise provocou perdas econômicas superiores a US$ 13 trilhões, de acordo com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).

"As questões pendentes não serão resolvidas apenas por esforços técnicos", afirmam. "Elas precisam do sinal claro que só um chefe de governo pode dar (...) é necessária vontade política ao mais alto nível", completam.

Papel da OMS

A carta conjunta defende que a equidade seja um dos pilares centrais do mecanismo. Segundo eles, países que compartilham rapidamente patógenos perigosos devem ter garantias de acesso aos medicamentos, vacinas e tratamentos desenvolvidos a partir dessas informações.

Para Lula e Tedros, além de uma questão de justiça, trata-se de uma estratégia para conter surtos antes que se transformem em emergências globais.

"Está acontecendo agora"

Ao detalhar o alarme sobre o surto de ebola, os líderes reafirmam que a ameaça de novas epidemias não é uma hipótese distante.

"Isso não é uma abstração distante. Está acontecendo agora", dizem. "Cada mês que este anexo permanece inacabado é um mês em que o mundo está menos preparado do que poderia estar", afirmam, em alusão ao anexo sobre Acesso a Patógenos e Compartilhamento de Benefícios (PABS), peça considerada essencial para a entrada em vigor do Acordo sobre Pandemias da OMS.

A mensagem foi divulgada às vésperas da cúpula do G7 e conclui com um apelo para que os países transformem em ação as promessas feitas após a Covid-19.

"Fizemos uma promessa aos milhões que perdemos e às famílias que ainda sentem a sua falta. Que sejamos a geração que cumpre essa promessa", conclui a carta.