Lula: 'Ninguém é dono do mundo e ninguém é dono da América do Sul'

Durante a 68ª Cúpula de Presidentes do Mercosul, em Assunção, presidente também destacou a defesa da democracia, o combate ao crime organizado e a cooperação entre os países da região.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (30), durante a sessão plenária da 68ª Cúpula de Presidentes do Mercosul, em Assunção, no Paraguai, que "ninguém é dono do mundo e ninguém é dono da América do Sul". Segundo ele, a autonomia dos países da região é essencial diante das transformações no cenário internacional.

Ao defender a independência da América do Sul nas relações internacionais, Lula declarou que "ninguém ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos com poderes estrangeiros".

O presidente acrescentou que "nossa força está na capacidade de dialogar com todos, sem deixar de lado nossos interesses" e ressaltou que preservar a autonomia é fundamental para manter o espaço da região diante das mudanças no mundo.

Durante o discurso, Lula afirmou que o Mercosul surgiu há 35 anos como resposta ao passado autoritário do Cone Sul e disse que a democracia voltou a enfrentar ameaças em diversas partes do mundo.

Segundo o presidente, no Brasil, "os extremistas pensaram até em planejar um golpe de Estado" e redes de desinformação seguem tentando enfraquecer a confiança nas instituições.

Ele também declarou que, apesar das tentativas de colocar em dúvida a integridade dos processos eleitorais na América do Sul, "a confiança nas normas democráticas tem prevalecido". Lula afirmou ainda que, nas eleições presidenciais de outubro, para as quais é candidato, "o Brasil reafirmará a força da sua democracia" e defendeu o fortalecimento das instâncias regionais.

Cooperação contra o crime organizado

Lula classificou o crime organizado como um dos principais desafios da América do Sul e afirmou que essas organizações controlam territórios, intimidam comunidades, destroem o meio ambiente, alimentam a corrupção, desviam recursos públicos e ampliam sua atuação para o ambiente digital.

O presidente disse que o Brasil tem priorizado o fortalecimento da inteligência e da cooperação internacional para combater essas organizações. Segundo ele, em parceria com a Interpol, será implementada uma nova iniciativa de enfrentamento ao crime organizado na América do Sul, com sede em Buenos Aires.

O Brasil custeará, por um ano, a atuação de 12 delegados de países da região na capital argentina para ampliar a cooperação no combate ao tráfico e ao crime organizado.