A normalização das relações entre Estados Unidos e Irã parece permanecer em um impasse. Enquanto Washington informa que uma nova rodada de negociações está prevista para esta semana em Doha, Teerã descarta reuniões diretas com a delegação americana.
Nova escalada de tensões
A trégua firmada no âmbito do memorando de entendimento mostrou-se frágil, e as partes iniciaram uma nova escalada do conflito.
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Na sexta-feira (26), os Estados Unidos voltaram a bombardear o Irã após acusarem o país de atacar com drones o navio mercante M/V Ever Lovely, de bandeira de Singapura, quando deixava o Estreito de Ormuz pela costa de Omã, no dia anterior. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou que sua aviação atingiu depósitos de mísseis e drones, além de estações de radar costeiras.
Na cidade portuária de Sirik, no sul do Irã, foram ouvidas diversas explosões. Uma fonte militar afirmou à agência de notícias IRIB que os estrondos foram provocados pelo impacto de vários projéteis contra uma torre de telecomunicações em Taheriyeh, nas proximidades da cidade. Também foram registrados ataques com mísseis contra a vila de Masen, na ilha de Qeshm, localizada no Estreito de Ormuz.
A resposta iraniana foi imediata. A Marinha da Guarda Revolucionária informou posteriormente que atacou diversas posições das tropas americanas na região, acusando Washington de violar o cessar-fogo acordado. Em seguida, o país lançou mísseis balísticos e drones contra oito "infraestruturas importantes" dos Estados Unidos na região, entre elas a base aérea Ali Al Salem, no Kuwait, e o quartel-general da Quinta Frota da Marinha dos EUA, no porto de Mina Salman, na capital do Bahrein.
Das ameaças à paz
A retórica do presidente Donald Trump também mudou durante a mais recente escalada. Recentemente, ele afirmou que o Irã "deixará de existir" caso os Estados Unidos "sejam forçados" a recorrer à ação militar para "concluir o trabalho".
Por sua vez, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (CGRI) advertiu que responderá "com mais firmeza do que no passado" contra embarcações que considerar infratoras no estreito de Ormuz e que qualquer novo ataque americano receberá uma "resposta devastadora". Nesse contexto, também declarou que as forças dos Estados Unidos "experimentarão o inferno nos próximos dias" na região.
Apesar disso, na segunda-feira (29), Trump informou que Teerã solicitou uma reunião do grupo de trabalho técnico que, segundo ele, será realizada na terça-feira (30), na capital do Catar. "O Irã solicitou uma reunião. Ela acontecerá amanhã, em Doha!", escreveu o presidente na Truth Social. Posteriormente, comentou sobre sua expectativa em relação ao encontro: "Talvez seja importante, talvez não. Veremos".
Anteriormente, o Ministério das Relações Exteriores do Irã esclareceu as informações sobre a realização de consultas com os Estados Unidos em 30 de junho, na capital catarense, afirmando que Washington e Teerã ainda não chegaram a um acordo sobre a data e o local das negociações.
Enquanto isso, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, informou que os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner viajarão esta semana a Doha para dialogar com o país persa. "Paralelamente a essas conversas de alto nível, também serão realizadas conversas técnicas", declarou.
Em resposta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, confirmou que as reuniões serão realizadas e afirmou que a viagem da delegação iraniana a Doha não prevê discussões com os Estados Unidos sobre um acordo de paz definitivo, mas tem como objetivo "acompanhar a implementação" do memorando de entendimento firmado em meados deste mês.
"Ainda não entramos na fase de negociação do acordo final", afirmou o porta-voz, lembrando que a cláusula 13 do acordo preliminar estabelece que as negociações sobre o pacto definitivo só terão início caso sejam cumpridos os pontos 1, 4, 5, 10 e 11. Ele também explicou que a delegação de especialistas que viajará ao Catar concentrará seus trabalhos na concessão de isenções para a exportação de petróleo iraniano e na liberação dos recursos financeiros congelados do país.