Rússia exige que chefe da ONU condene de 'forma inequívoca os crimes sangrentos' de Kiev

"A falta de coragem e de firmeza de princípios do Secretariado da ONU para chamar as coisas pelo nome é decepcionante", afirmou a representante permanente adjunta da Rússia.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, deveria condenar os crimes ucranianos contra civis, afirmou nesta segunda-feira (29) a representante permanente adjunta da Rússia na ONU, Anna Evstigneeva. A declaração ocorreu durante uma sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU sobre o ataque deliberado de Kiev contra um ônibus que transportava cidadãos belarussos, incluindo crianças.

O ataque foi lançado pelas forças do regime de Kiev no dia 17 de junho, na região fronteiriça de Briansk. Um passageiro morreu e outros oito, entre eles seis menores, ficaram feridos com diferentes graus de gravidade.

"Exigimos ao secretário-geral, ao Secretariado e às estruturas competentes da ONU uma condenação inequívoca desses crimes sangrentos. O silêncio diante dos ataques seletivos de Kiev, que deixaram numerosas vítimas entre as crianças, constitui uma clara demonstração de um duplo padrão que viola gravemente o artigo 100 da Carta da organização", declarou Evstigneeva.

Além disso, ela manifestou decepção com a falta de coragem do Secretariado da ONU em relação a esse ataque.

"É decepcionante a falta de coragem e de firmeza de princípios do Secretariado da ONU para chamar as coisas pelo nome e apontar o regime de Kiev como o evidente responsável pela tragédia na região de Briansk e por outros crimes atrozes", afirmou.

"Em vez disso, voltamos a ouvir das autoridades internacionais os mesmos comentários inócuos sobre a inadmissibilidade de ataques contra civis e contra a infraestrutura civil", acrescentou.

No mesmo contexto, a representante permanente adjunta afirmou que as autoridades de Kiev, seguindo um padrão já conhecido, tentaram atribuir a responsabilidade por esse crime à Rússia, classificando o ocorrido como uma provocação ou uma operação de informação supostamente benéfica para Moscou. "No entanto, essas insinuações não resistem a qualquer crítica e se desfazem facilmente diante de fatos irrefutáveis", argumentou.

"O regime [de Kiev] transformou os crimes de guerra em parte de sua estratégia militar, caçando civis, atacando médicos e equipes de resgate que prestam assistência aos feridos e lidam com as consequências de atentados terroristas. Seu cinismo e seu caráter desumano ficam claramente evidenciados pelo forte aumento do número de ataques deliberados contra instituições de ensino e a infraestrutura infantil", continuou a funcionária.

Além disso, ela afirmou que, para o líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky, é muito importante demonstrar ao Ocidente supostos sucessos militares para garantir o fornecimento de armas e recursos financeiros.

"Hoje, para o regime de Zelensky, é mais importante do que nunca mostrar a seus patrocinadores ocidentais supostos sucessos das Forças Armadas da Ucrânia, a fim de assegurar o fluxo de armas ocidentais e de injeções bilionárias nos bolsos da quadrilha entrincheirada em Kiev", disse.

"Quase se soltou da coleira"

Por sua vez, para os patrocinadores ocidentais, o apoio ao regime de Kiev "é um negócio lucrativo não apenas no plano geopolítico, mas também no comercial", afirmou Evstigneeva. "Na realidade, não há sucessos na frente de combate, e a possibilidade de reforçar as fileiras das Forças Armadas da Ucrânia com pessoas mobilizadas à força diminui de forma constante", acrescentou.

Ela também alertou para os riscos dessas ações por parte dos países europeus.

"Alguém ainda duvida da verdadeira intenção de Zelensky de expandir artificialmente a geografia do conflito para o território de Belarus, Polônia e dos países bálticos? Isso é brincar com fogo, e já é hora de os países europeus compreenderem que seu protegido está praticamente fora de controle", declarou.

"A retórica de Kiev sobre a proteção da Europa contra a Rússia não passa de uma cortina de fumaça para prolongar o conflito, manter as hostilidades até o último ucraniano e envolver a OTAN em um confronto direto com Moscou", sustentou a funcionária.

Ataque terrorista de Kiev contra crianças

Em meados de junho, o governador interino da região de Briansk, Yegor Kovalchuk, informou que as forças de Kiev "atacaram com um drone do tipo avião um ônibus da equipe infantil de futebol de Gomel (Belarus), cujos integrantes viajavam para passar férias em Gelendzhik". O funcionário ressaltou que "os terroristas ucranianos sabiam claramente que se tratava de um ônibus de passageiros", acrescentando que atingiram o veículo civil como se fosse equipamento militar.

Por sua vez, o vice-presidente da Comissão Permanente de Assuntos Exteriores da Câmara Baixa do Parlamento de Belarus, Oleg Gaidukevich, enfatizou que o objetivo do ataque é "arrastar Belarus e toda a Europa para o conflito armado" em curso entre Kiev e Moscou. Ele afirmou que um atentado desse tipo não ficará impune e que todos os responsáveis receberão "sua punição nos termos da lei e do direito internacional".