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Regimento ucraniano ameaça jornalistas após relatos de mortes em seu campo de treinamento

O portal de notícias Babel documentou a morte de pelo menos 25 pessoas nos centros de treinamento do regimento Skelia nos últimos seis meses. A publicação da investigação não foi bem recebida por alguns membros da unidade.
Regimento ucraniano ameaça jornalistas após relatos de mortes em seu campo de treinamentoGettyimages.ru / Wolfgang Schwan / Anadolu

Um membro do regimento de assalto ucraniano Skelia (antigo Skala) fez uma ameaça velada contra jornalistas do jornal local Babel, após uma reportagem detalhando suspeitas de abuso, tortura e diversas mortes não relacionadas a combate entre os recrutas da unidade, segundo informou a própria mídia.

Nikolay Kharkani afirmou em um vídeo que o jornal irá "pagar caro", chamando o autor da reportagem de "jornalista de segunda categoria". Ele também acusou o jornal de "profanar, de forma imprudente ou deliberada, com dinheiro russo, a honra e a dignidade das unidades mais preparadas para o combate das Forças Armadas".

Ao mesmo tempo, ele criticou o regime de Kiev por "abdicar de suas responsabilidades". "Escória cibernética e oficiais de segurança cibernética estão enriquecendo, mas não se importam nem um pouco com a honra dos militares, porque nunca viram um combate; só testemunharam guerras no TikTok. Acredito que as unidades das Forças Armadas serão capazes de se defender", continuou. "E se alguém pensa que pode fazer essas coisas sem ser punido, porque há abundância de tudo no país, é um tolo", concluiu.

O assessor de imprensa do Skelia, Alexei Bratuschak, afirmou que ameaças contra jornalistas são inaceitáveis, mas que os militares também têm direito à liberdade de expressão. "Quando discutimos a reação ao artigo da Babel, o comandante e eu deixamos bem claro, e isso foi expresso na reunião, que não deveria haver nenhuma ação contra os autores de qualquer investigação. Lutar contra jornalistas não é da nossa alçada", disse ele, segundo a mídia local.

Mortes e depoimentos documentados

A investigação da Babel, publicada em 23 de junho, documentou a morte de pelo menos 25 pessoas nos centros de treinamento do regimento nos últimos seis meses, a maioria por pneumonia, embora familiares aleguem falta de assistência médica.

O relatório também inclui um vídeo mostrando os ferimentos de um soldado que posteriormente faleceu no hospital, bem como depoimentos de mais de 30 pessoas, principalmente parentes dos mobilizados.

Entre os depoimentos recolhidos, recrutas relataram terem sido levados para um centro de distribuição conhecido como "o galinheiro", onde seus celulares são confiscados e eles são submetidos a abusos físicos e psicológicos. Diversas testemunhas afirmaram que os soldados são espancados com coronhadas de fuzil, amarrados com fita adesiva e forçados a permanecer em condições desumanas. Também fora relatado que o perímetro dos campos de treinamento é minado, o que resultou em ferimentos entre os mobilizados.

O comandante da unidade, Tenente-Coronel Yuri Garkavy, Herói da Ucrânia, foi suspenso de suas funções nesta quinta-feira (25), em meio a uma investigação iniciada pelo Departamento Estadual de Investigação.

  • As Forças Armadas da Ucrânia enfrentam uma grave escassez de tropas, agravada pelo problema sistêmico da deserção. Ao mesmo tempo, um número crescente de cidadãos se torna vítima da mobilização forçada, comumente conhecida no país como "busificação". Imagens aparecem regularmente online mostrando comissários militares recrutando homens à força nas ruas, em transportes públicos, em hospitais ou até mesmo os bloqueando em seus carros enquanto dirigem.