Capitão explica plano do Brasil para localizar desaparecidos na Venezuela

Força-tarefa buscará informações sobre moradores e residências antes de definir os pontos das operações de resgate. Dois aviões partiram de São Paulo com 45 profissionais e nove toneladas de equipamentos para apoiar o atendimento às vítimas.

O capitão César Tadeu, da Defesa Civil do Estado de São Paulo, integra a missão enviada pelo Brasil à Venezuela para apoiar as operações de busca e resgate após os terremotos registrados no país.

Dois aviões KC-390 Millennium saíram nesta sexta-feira (26) da Base Aérea de Cumbica, na região metropolitana de São Paulo. As aeronaves fazem escala em Boa Vista antes de seguir para a Venezuela.

A missão transporta nove toneladas de equipamentos, 36 bombeiros e nove técnicos da Defesa Civil. A equipe reúne profissionais de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além de integrantes da Defesa Civil Nacional e da Agência Nacional de Telecomunicações.

Base de apoio será instalada na Venezuela

Segundo César Tadeu, a equipe faz parte de uma operação que reúne diferentes órgãos do estado de São Paulo. "A gente integra uma força-tarefa do Governo do Estado, então está indo Defesa Civil, Corpo de Bombeiro e Polícia Militar". 

A primeira medida será instalar uma base de apoio e procurar as equipes que já atuam nas áreas atingidas. O contato permitirá que os profissionais brasileiros recebam missões e identifiquem as necessidades locais.

Cadastro orientará as buscas

Uma das prioridades será reunir informações sobre as pessoas que ainda não foram localizadas. O trabalho prevê o levantamento do número de moradores de cada residência e a identificação daqueles que conseguiram deixar os imóveis.

"O principal é saber onde estão as pessoas que precisam ser achadas, então precisa cadastrar pessoas, precisa saber das residências quantas pessoas moravam, quantas conseguiram sair, quantas ainda não apareceram, estabelecer essa matemática para que a gente consiga fechar uma conta e saber onde procurar", pontuou. 

De acordo com o capitão, o período inicial de atuação será de 15 dias, com possibilidade de extensão.

Missão leva cães e ferramentas

Além dos técnicos da Defesa Civil, o grupo inclui integrantes de corporações de três estados. "Profissionais da Defesa Civil, tanto do Estado de São Paulo quanto Federal, Corpo de Bombeiros de São Paulo, Paraná e Minas Gerais."

A carga transportada pelas aeronaves inclui cães para localização de vítimas e ferramentas destinadas à retirada de estruturas que possam dificultar o acesso das equipes.

"A gente está levando cachorros para fazer busca, materiais para fazer rompimento de concreto, alimentos para que nós não precisemos pedir nada para o governo local", indicou. 

Segundo César Tadeu, a missão leva os suprimentos necessários para manter os integrantes durante o período de atuação na Venezuela. "Então, a gente vai autossuficiente, a gente consegue ficar lá um tempão só com o que a gente levar".

Capitão destaca coordenação com equipes locais

Para César Tadeu, situações com esse nível de destruição podem superar a capacidade dos órgãos responsáveis pelo atendimento no país atingido.

"Toda tragédia tende a exceder a capacidade de atendimento local. Então a importância da gente ajudar é essa, porque um dia a gente pode precisar também e pode ser que a gente receba essa ajuda", afirmou. 

O capitão também destacou a necessidade de integração com as autoridades e equipes venezuelanas responsáveis pelas operações. "A coordenação local salva vidas. Quanto mais gente for, nessas primeiras horas, melhor".

Novo voo levará hospital de campanha

A viagem desta sexta-feira (26) representa a primeira etapa da operação anunciada pelo governo brasileiro. No sábado (27), outro voo deverátransportar equipamentos para a montagem de um hospital de campanha.

A carga prevista inclui cem purificadores de água com painel solar, medicamentos e materiais médicos destinados a cirurgias.

"Seguiremos acompanhando o desenvolvimento dos trabalhos de socorro às vítimas para prestar todo o apoio necessário aos nossos irmãos venezuelanos", informou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira (25).

Os dois terremotos tiveram magnitude superior a 7 e causaram danos em diferentes regiões da Venezuela. Um edifício desabou em Caracas, e a presidente encarregada, Delcy Rodríguez, declarou estado de emergência.

De acordo com as autoridades venezuelanas, 920 pessoas morreram e 3.360 ficaram feridas.