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Fraude bilionária nas Lojas Americanas: quem são os megaempresários alvos da PF?

Segunda fase da Operação Disclosure investiga acionistas de referência e representantes de bancos por possível conhecimento das irregularidades contábeis. Policiais cumprem nove mandados no Rio de Janeiro e em São Paulo, enquanto a Justiça determina o sequestro de bens e valores dos investigados.
Fraude bilionária nas Lojas Americanas: quem são os megaempresários alvos da PF?Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga supostas fraudes contábeis na Americanas estimadas em cerca de R$ 54 bilhões.

A operação tem como alvos acionistas de referência da empresa, um representante ligado aos sócios e executivos de três bancos. A investigação busca esclarecer se eles participaram ou tinham conhecimento das irregularidades.

Ao todo, os agentes cumprem nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões.

Veja quem são:

Acionistas de referência da Americanas

  • Carlos Alberto da Veiga Sicupira: acionista de referência da companhia.
  • Paulo Alberto Lemann: acionista de referência da Americanas e filho do empresário Jorge Paulo Lemann, que não é alvo da operação.

Representante ligado aos sócios

  • Eduardo Saggioro Garcia: apontado na investigação como operador direto dos acionistas.

Executivos do Itaú Unibanco

  • José de Castro Araújo Rudge Júnior
  • Gustavo Balassiano

Executivo do Bradesco

  • Carlos Henrique Villela Pedras

Executivos do Santander

  • André Juaçaba de Almeida
  • Alexandre Lian Abdo

O que a Polícia Federal investiga?

Segundo a Polícia Federal, os suspeitos podem ter tido conhecimento de fraudes contábeis praticadas durante vários anos. As irregularidades estariam relacionadas a dois mecanismos:

  • Operações de risco sacado: antecipação, por bancos, de valores que a empresa deve aos fornecedores.
  • Verba de propaganda cooperada: contratos conhecidos pela sigla VPC que, segundo a investigação, teriam sido contabilizados sem comprovação econômica.

"Os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico", informou a PF.

"As apurações apontam indícios, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa", acrescentou.

Linha do tempo

  • Janeiro de 2023: a Americanas revelou inconsistências contábeis iniciais de cerca de R$ 20 bilhões.
  • Após a revelação: a companhia entrou com pedido de recuperação judicial.
  • Junho de 2024: a PF realizou a primeira fase da Operação Disclosure, voltada a ex-executivos.
  • Março de 2025: o Ministério Público Federal denunciou 13 ex-executivos e ex-funcionários.

O ex-diretor-presidente Miguel Gutierrez chegou a ser preso na Espanha após ter o nome incluído na lista de difusão vermelha da Interpol. A prisão foi revogada posteriormente.