A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, acusou o portal Politico Europe de censura após o veículo recusar a publicação de um artigo do chanceler russo, Sergey Lavrov.
Em uma publicação nas redes sociais nesta terça-feira (23), Zakharova afirmou que o texto abordava as origens do conflito na Ucrânia e questões relacionadas à segurança na Europa.
Segundo a diplomata, o artigo permaneceu com a redação do portal por mais de um dia antes de ser devolvido com a anotação: "Não vamos publicar".
Zakharova declarou que a decisão foi dirigida ao conteúdo apresentado por Lavrov, e não ao cargo ocupado pelo ministro. Para a porta-voz, a recusa constitui um ato de censura por parte de um veículo que se apresenta como defensor da democracia e da liberdade de expressão na Europa.
A representante da Chancelaria russa também questionou os critérios utilizados pelo Politico Europe para selecionar autores de artigos de opinião. Ela apresentou dados sobre as publicações da revista entre 2021 e o início de 2026.
De acordo com o levantamento citado por Zakharova, a seção Opinion publicou textos assinados por 70 chefes de Estado, chefes de governo e ministros em exercício de mais de 30 países durante o período.
Esses representantes participaram, como autores ou coautores, de 66 artigos. Desse total, 13 textos foram produzidos conjuntamente por dois ou mais integrantes de governos.
Ainda segundo os dados apresentados:
- 35 publicações foram assinadas por chefes de Estado ou de governo;
- 18 por ministros das Relações Exteriores; e
- 13 por titulares de outras pastas, entre elas Defesa, Finanças, Energia, Interior e Meio Ambiente.
Zakharova afirmou que representantes do Reino Unido publicaram nove artigos no veículo. A Estônia apareceu com sete textos, seguida por autores ligados ao regime de Kiev, com seis, Lituânia, com quatro, e Grécia, com três.
A diplomata observou que parte dos autores citados representa países que ingressaram há menos tempo na União Europeia, que nunca integraram o bloco ou que deixaram a organização.
A RT publicou a íntegra do artigo de Sergey Lavrov, que pode ser conferida clicando aqui.