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FIFA avalia conflito de interesses e CazéTV pode enfrentar barreira para 2030

Integrantes da entidade questionam a atuação da LiveMode na compra, venda e exibição de direitos esportivos, entretanto não há anúncio de investigação, veto ou regra contra o canal oficialmente.
FIFA avalia conflito de interesses e CazéTV pode enfrentar barreira para 2030Reprodução/Divulgação Redes Sociais

A CazéTV pode enfrentar obstáculos para adquirir os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2030 no Brasil devido à estrutura de negócios da LiveMode, empresa responsável pelo canal em parceria com Casimiro Miguel.

Segundo apuração publicada nesta terça-feira (23) pelo Notícias da TV, integrantes da FIFA avaliam que a atuação da companhia em diferentes etapas do mercado de direitos esportivos pode representar um conflito de interesses.

As fontes ouvidas pela publicação afirmam que o desconforto foi manifestado em conversas realizadas durante a Copa do Mundo nos Estados Unidos. O questionamento envolve o fato de a LiveMode participar da comercialização de competições, representar entidades e clubes, adquirir direitos e operar uma plataforma que transmite os mesmos eventos.

A empresa também mantém relações comerciais com grupos que investiram na Futebol Forte União, conhecida como FFU, uma das organizações que representam clubes do futebol brasileiro. A LiveMode atua como agência da FFU e administra as negociações dos direitos de transmissão dos integrantes do bloco.

Até esta terça-feira (23), porém, a FIFA não havia divulgado comunicado confirmando a abertura de investigação, a imposição de veto ou a adoção de regra que impeça a LiveMode ou a CazéTV de participar de uma futura disputa pelos direitos da Copa de 2030 no mercado brasileiro. Também não há registro público de que a concorrência no país tenha sido aberta.

De acordo com a apuração, uma das possibilidades discutidas seria exigir que a LiveMode desempenhasse apenas uma função no processo, como compradora, vendedora ou exibidora de direitos. Outra hipótese seria condicionar um acordo para 2030 ao afastamento dos investidores General Atlantic e XP Investimentos, que também mantêm participação em operações relacionadas à FFU. Essas medidas, entretanto, não foram anunciadas pela FIFA.

Investidores ligam LiveMode e FFU

Em 2023, General Atlantic e XP lideraram um consórcio que investiu R$ 2,6 bilhões na aquisição de 20% dos direitos comerciais dos clubes da então Liga Forte União pelo período de 50 anos. Seis meses depois, em abril de 2024, as duas empresas anunciaram investimentos na LiveMode. Os valores dessa operação não foram divulgados.

Segundo as informações disponíveis, a participação dos investidores na LiveMode seria minoritária, enquanto Edgar Diniz, Sérgio Lopes e Casimiro Miguel permaneceriam entre os principais sócios da empresa.

Um comunicado da General Atlantic sobre o investimento apresenta a LiveMode como agente da FIFA na comercialização dos direitos da Copa do Mundo de 2026 no Brasil. O documento também menciona o trabalho da companhia com a Liga Forte União e inclui a CazéTV entre suas formas de distribuição de conteúdo.

A própria LiveMode informa que conduziu as negociações dos direitos de mídia dos clubes da FFU para o período entre 2025 e 2029. Os contratos envolveram Grupo Globo, Record, Amazon Prime Video e YouTube, por meio da CazéTV. Segundo a empresa, a receita anual dos clubes passou de R$ 800 milhões para R$ 1,7 bilhão por temporada, com previsão de alcançar R$ 2,2 bilhões até 2029.

Projeto de liga da CBF amplia disputa

Outro componente citado na apuração é o projeto da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para reunir os clubes das Séries A e B em uma liga. A proposta busca aproximar equipes atualmente divididas entre a FFU e a Liga do Futebol Brasileiro, conhecida como Libra.

A CBF realizou em 25 de maio a segunda reunião com clubes e federações para tratar da criação da Liga Futebol no Brasil. O encontro abordou horários das partidas, segurança nos estádios, infraestrutura, proteção de atletas e mudanças na Justiça Desportiva.

A iniciativa coloca a confederação no centro das discussões sobre a organização comercial do Campeonato Brasileiro. Conforme a reportagem, a atuação da CBF nesse processo também pode influenciar a avaliação da FIFA, da qual a entidade brasileira é filiada.

Não há restrição publicada para 2030

A Copa do Mundo de 2030 será realizada em Espanha, Portugal e Marrocos, com três partidas comemorativas na Argentina, no Paraguai e no Uruguai. A FIFA já iniciou processos de venda dos direitos em alguns mercados.

Em janeiro de 2025, a entidade abriu uma licitação na Alemanha que incluiu as Copas de 2026 e 2030. O edital estabeleceu procedimentos para o envio de propostas, mas não mencionou restrições relacionadas à estrutura empresarial de possíveis compradores ou transmissores.

No Brasil, ainda não foi divulgado processo equivalente para a edição de 2030. Dessa forma, a possível barreira à CazéTV permanece vinculada aos relatos de fontes ouvidas pela reportagem, sem confirmação de medida ou decisão da FIFA.