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'Futebol perdeu sua essência': Técnico do Paraguai dispara contra FIFA

Gustavo Alfaro criticou, entre outras coisas, o fato de o alto preço dos ingressos impedir que mais torcedores apoiem suas seleções.
'Futebol perdeu sua essência': Técnico do Paraguai dispara contra FIFAGettyimages.ru / Dean Mouhtaropoulos

O técnico da seleção paraguaia, Gustavo Alfaro, disparou fortes críticas à FIFA durante coletiva de imprensa após um treino da sua equipe, dizendo que a entidade se apoderou do futebol, afastando-o de suas origens humildes, para descaradamente obter lucro em detrimento das pessoas mais pobres, segundo divulgou O Globo nesta segunda-feira (22).

O treinador argentino que comanda a time do Paraguai nesta edição da Copa do Mundo disse que esperava que mais torcedores paraguaios pudessem apoiar a seleção do país, mas que os preços dos ingressos e de outros custos relacionados à viagem são proibitivos para a maioria deles, o que tem tornado o futebol um esporte elitista.

"O futebol não pode ser um negócio. Ele precisa continuar sendo futebol. Hoje apenas um grupo muito restrito tem a oportunidade de aproveitar tudo isso. [...] As pessoas que conheço estão passando por um momento muito difícil, porque viajar se tornou muito complicado e muito caro. As Copas do Mundo estão supervalorizadas. Os custos, tudo o mais. A essência do futebol se perdeu", declarou Alfaro.

Outra crítica levantada pelo técnico do Paraguai foi direcionada às pausas para hidratação nesta Copa do Mundo, que, em teoria, seriam para os jogadores se refrescarem durante o escaldante verão da América do Norte. Para o treinador, a FIFA se aproveita disso para lucrar com publicidade: "Não é uma pausa para hidratação. É uma pausa publicitária", desabafou Alfaro.

Para o treinador, o futebol nasceu como um esporte das classes baixas e deveria continuar sendo uma atividade acessível em que apenas uma simples bola pode trazer alegria a muitas pessoas. "O futebol pertence a todos nós, especialmente aos mais pobres. O brinquedo mais barato era uma bola. Às vezes era difícil consegui-la, mas 22 pessoas podiam brincar com um único brinquedo. O poder do futebol é imenso. É isso que precisamos defender".