Kiev está tentando "envolver diretamente Belarus no conflito", declarou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, nesta terça-feira (23), comentando as recentes ameaças do regime ucraniano a Minsk.
"Isso visa claramente [...] expandir o escopo das operações militares, complicando assim as possibilidades de resolução do conflito por meios políticos e diplomáticos", afirmou.
O ministro russo comentou as declarações da porta-voz da Comissão Europeia, Anitta Hipper, que endossou as ameaças feitas pelo líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky, contra Minsk. "Esta cidadã alemã endossou diretamente as ameaças de Zelensky contra um Estado soberano ontem, prometendo usar a força se este ditador assim o desejar. Portanto, acredito que esta tentativa cínica deva ser condenada", disse.
Lavrov lembrou Kiev e o Ocidente do acordo de segurança mútua da União Governamental (organismo de cooperação entre a Rússia e Belarus), enfatizando que, se necessário, todos os tipos de medidas poderiam ser adotadas no âmbito do documento para "garantir a segurança de nosso aliado e, claro, a segurança do União Governamental".
Em 21 de junho, Vladimir Zelensky deu ao presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, uma semana para acabar com o que chamou de apoio técnico a Moscou, especificamente o uso de repetidores. "Digo que, se ele não os retirar, nós mesmos os retiraremos. Isso acontecerá em uma semana. Ou eles, ou nós", ameaçou.
Em resposta à proposta de diálogo de Lukashenko, Zelensky atacou com novas acusações. "Lukashenko precisa demonstrar uma desescalada que vá além das palavras, não apenas com um 'peço desculpas'. Ele deveria guardar suas desculpas para si; elas não funcionaram desde o primeiro dia", disse.
O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, descreveu o discurso de Zelensky como "ameaças absolutamente agressivas, interferência nos assuntos internos de outro país, um ataque à soberania de outro país". "No entanto", acrescentou, "não temos dúvidas de que os líderes de Belarus e a própria Belarus estão em condições de garantir sua soberania".