
Ação de Brasil, EUA e Bolívia pode confirmar maior apreensão de cocaína do país

Uma operação baseada na cooperação entre Brasil, Estados Unidos e Bolívia pode resultar na maior apreensão de cocaína já registrada no país. No domingo (21), autoridades brasileiras retiveram oito caminhões que transportavam cerca de 260 toneladas de madeira com indícios da presença de cocaína líquida.

A ação ocorreu no âmbito da Operação Timber Shield. Quatro caminhões foram interceptados em Corumbá, em Mato Grosso do Sul, e outros quatro em Cáceres, em Mato Grosso. Cada grupo transportava cerca de 130 toneladas de madeira.
Segundo a Receita Federal, análises preliminares apresentaram resultado positivo para cocaína. A suspeita é que a substância tenha sido misturada à estrutura da madeira em estado líquido, método utilizado para dificultar sua identificação durante fiscalizações em fronteiras e portos.
Com base em apreensões anteriores que envolveram a mesma forma de ocultação, a Receita estima que entre 10% e 20% do peso da carga possa corresponder a substâncias ilícitas. Caso a projeção seja confirmada, o volume poderá variar entre 20 e 50 toneladas de cocaína.
A Polícia Federal assumiu a custódia do material e ficará responsável pela investigação criminal e pela confirmação da quantidade da droga. A operação também reuniu o Exército Brasileiro, o Grupo Especial de Fronteira de Mato Grosso e as polícias técnico-científicas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
🚨🌎 Operação Timber Shield
— Receita Federal (@ReceitaFederal) June 22, 2026
Ação do programa Brasil Contra o Crime Organizado resultou na maior apreensão de cocaína da história do país. Foram interceptados 8 caminhões com madeira usada para ocultar cocaína líquida. Cooperação entre Brasil, EUA e Bolívia. 🇧🇷🤝🌎 pic.twitter.com/IBZ4sdP837
Informações compartilhadas levaram ao monitoramento
A Receita Federal informou que a troca de dados entre Brasil, Estados Unidos e Bolívia permitiu identificar o esquema de transporte. A ação contou ainda com a participação da Aduana Nacional da Bolívia e da Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico. O monitoramento na faixa de fronteira começou na sexta-feira (19).
Informações repassadas pelos Estados Unidos indicam que as cargas interceptadas no Brasil estão relacionadas a uma apreensão realizada no Chile em 6 de junho de 2026. Na ocasião, a aduana chilena apreendeu 100 toneladas de cocaína procedentes da Bolívia e ocultadas por meio do mesmo método. Segundo a Receita, os carregamentos teriam origem no mesmo local de produção.
A operação ocorreu em áreas submetidas ao regime de Área de Controle Integrado. As cargas permaneceram em território brasileiro, sob controle das autoridades nacionais, enquanto representantes da aduana boliviana acompanharam as verificações. A Receita ressaltou que "não há, em qualquer hipótese, possibilidade de retorno das cargas ao território boliviano".
Os caminhões continuam sob fiscalização enquanto a perícia trabalha para confirmar a presença e o volume da cocaína. De acordo com a Receita, os procedimentos seguem os protocolos de cadeia de custódia, destinados a preservar as evidências que serão utilizadas na investigação.
