
Apuração, impugnações e posse: o que ocorrerá após as eleições presidenciais na Colômbia?

As eleições presidenciais da Colômbia ainda não terminaram, embora Abelardo de la Espriella, candidato do partido conservador Defensores da Pátria, já tenha se declarado vencedor. O país ainda aguarda a conclusão da apuração oficial, a apresentação e a análise das impugnações e a divulgação do resultado definitivo.
Depois do encerramento desse processo, as autoridades eleitorais deverão anunciar o presidente eleito, que assumirá o cargo em 7 de agosto, sucedendo Gustavo Petro para um mandato de quatro anos.
¡Gracias Colombia! 🫡
— Abelardo De La Espriella (@ABDELAESPRIELLA) June 21, 2026
(A.D.L.E) 🇨🇴🐅 pic.twitter.com/KTzXtJ9i5M
A revisão dos votos ganhou importância devido à diferença registrada na contagem preliminar do segundo turno, realizado no domingo (21). De la Espriella recebeu 49,6% dos votos, enquanto o candidato da esquerda, Iván Cepeda, obteve 48,7%. A diferença foi de apenas 250.830 votos, em um total de mais de 25,6 milhões.
O jornal El Tiempo classificou a disputa como a eleição mais apertada da história recente da Colômbia. Autoridades e observadores pediram que a população aguarde com tranquilidade a revisão, que será conduzida nos próximos dias por 9.300 juízes e tabeliães integrantes das comissões de apuração.
Frey Muñoz, subdiretor da Missão de Observação Eleitoral, lembrou, no entanto, que historicamente não são registradas diferenças significativas entre a contagem preliminar e a apuração oficial. Segundo ele, isso indicaria que a vitória de De la Espriella não deverá ser revertida.
Reações divergentes
O presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Cristian Quiroz, afirmou que os dois candidatos contam com garantias de transparência durante a apuração. O processo teve a participação de 350 mil observadores independentes e representantes credenciados pelas duas campanhas, responsáveis por acompanhar a votação e verificar possíveis irregularidades.

Os candidatos reagiram de maneiras diferentes. Apesar de o processo eleitoral ainda não ter terminado e da diferença reduzida entre os dois, De la Espriella declarou-se vencedor. Ele também recebeu o apoio de governos estrangeiros que já o reconheceram e o felicitaram como presidente eleito, entre eles o dos Estados Unidos.
Cepeda, por sua vez, anunciou que contestará os resultados de 33 mil mesas eleitorais e declarou que só aceitará os números definitivos da apuração, porque a contagem preliminar "não é oficial nem vinculante".
Petro adotou uma postura de confronto e denunciou que Israel estaria por trás de uma suposta invasão do sistema eleitoral para alterar os resultados em favor de De la Espriella.
"Peço a toda a população tranquilidade e moderação para que seja realizada uma apuração profunda e bem-feita, que reflita a verdadeira decisão dos cidadãos. Continuo defendendo que é hora, antes de se deixar vencer pelo ódio, de buscar um diálogo nacional entre as principais correntes políticas que dividem ao meio a sociedade colombiana, qualquer que seja o resultado real da apuração", declarou.
