O presidente dos EUA, Donald Trump, apontou na sexta-feira (19) no sentido de uma mudança na relação entre o governo americano e a empresa de inteligência artificial (IA) Anthropic.
Questionado em entrevista exclusiva ao The Axios Show se considerava a empresa ou seu CEO, Dario Amodei, uma ameaça à segurança nacional, o presidente respondeu: "Bem, não agora, mas talvez há uma semana."
A mudança de postura ocorreu após o governo determinar que a companhia interrompesse o acesso internacional aos seus modelos avançados de IA, identificados como Fable 5 e Mythos 5.
A decisão surgiu quando um relatório da Amazon alertou a administração sobre vulnerabilidades nos sistemas, gerando preocupações inicialmente minimizadas pela liderança da Anthropic.
Trump destacou a agilidade com que Amodei reagiu às exigências governamentais, classificando sua conduta como responsável. O presidente enfatizou a gravidade de negligenciar questões de segurança nacional, alertando que tais falhas podem resultar em prisão imediata.
Apesar disso, ele não descartou o uso da Lei de Produção para Defesa caso necessário. Essa norma, originada no contexto da Guerra da Coreia em 1950, amplia a autoridade presidencial americana no sentido de influenciar a base industrial para aprimorar as capacidades militares do país.
Sinalizando uma recuperação no relacionamento entre Washington e a Anthropic, Trump reforçou que preservar a vantagem americana sobre a China em inteligência artificial continua sendo prioridade estratégica, afirmando que os benefícios superam amplamente os riscos identificados.
- A relação da empresa com o governo Trump atravessa tensões desde o surgimento de rumores acerca da utilização do Claude, produto de IA generativa da Anthropic, na operação militar que bombardeou a Venezuela e sequestrou o presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro de 2026.
- A operação estaria em contradição com os guias de uso da Anthropic, que proíbem expressamente que a ferramenta seja utilizada para facilitar violência, desenvolver armas ou realizar vigilância, provocando atritos com o governo americano.
- Diante da iniciativa de integração de modelos de IA às operações do Pentágono, a empresa recusou as exigências de que seu modelo fosse disponibilizado para "todos os fins legais", bloqueando seu uso para vigilância em massa de cidadãos dos EUA e para o desenvolvimento de armas totalmente autônomas – condições que a xAI de Elon Musk veio a aceitar.
- Desde então, o Departamento de Guerra dos EUA notificou os altos comandos das Forças Armadas em março, para que deletassem de seus sistemas os produtos de inteligência artificial (IA) da Anthropic em um prazo de 180 dias.
- Em abril, a Anthropic notificou o desenvolvimento de um novo modelo avançado, o Mythos, que seria capaz de identificar e explorar flahas de segurança de sistemas informacionais; a tecnologia seria tão disruptiva que não foi lançada comercialmente. O governo dos EUA convocou uma reunião de urgência com a Anthropic e as maiores empresas do setor para articular estratégias de gestão e antecipação desta nova tecnologia.
- Mais recentemente, fontes já apontam que a Anthropic está ajudando a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos EUA a implantar o modelo Mythos para operações ciberofensivas.