Em nova ingerência, EUA classificam condenação de Eduardo como 'perseguição'

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo crime de coação no curso do processo por tentar interferir no processo contra seu pai, Jair Bolsonaro, articulando sanções e tarifas contra o Brasil.

Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA ouvido pela agência Reuters na quarta-feira (17) classificou a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro como parte de um "padrão de perseguição e de uso do sistema judicial para fins políticos pelos tribunais brasileiros contra seus opositores políticos".

"Os debates políticos devem ser resolvidos por meio de eleições democráticas, e não por condenações", afirmou o representante, segundo a agência.

No dia anterior, Eduardo foi sentenciado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo, ou seja, por tentativa de interferência no julgamento de seu pai em processo que apurou a tentativa de golpe de Estado em 2023. 

Articulação internacional

Particularmente, o STF analisou movimentações de Eduardo nos EUA. Publicamente, o ex-deputado articulou junto a pessoas ligadas ao governo de Donald Trump a imposição de tarifas contra a economia brasileira e sanções contra autoridades ligadas ao julgamento de seu pai.

O relator do caso na Primeira Turma do STF, Alexandre de Moraes, que também atuou no processo que terminou com a condenação de Bolsonaro, chegou a ser alvo direto, bem como sua família, de sanções norte-americanas. Restrições que também atingiram outros ministros.

"Não é função de deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país. Mesmo que estivesse no exercício do mandato e não licenciado, mesmo que estivesse no exercício, não estaria acobertado pela imunidade parlamentar", destacou Moraes ao argumentar pela condenação.