'Não se pode deter um míssil com um dólar', diz secretário-geral da OTAN ao defender reforço militar

Mark Rutte afirmou que o aumento dos investimentos em defesa precisa ser acompanhado pela expansão da produção militar e do fortalecimento da base industrial do bloco.

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, afirmou nesta quinta-feira (18) que os países da aliança militar precisam fortalecer seus sistemas de defesa, destacando que não basta aumentar os recursos financeiros, mas também produzir os equipamentos necessários.

Durante entrevista coletiva após a reunião dos ministros da Defesa da OTAN, em Bruxelas, Rutte elogiou os avanços alcançados até agora e afirmou que um número crescente de países-membros está confirmando planos para cumprir a meta de elevar os gastos com defesa para 5% do PIB até 2035.

"Alguns aliados já alcançarão esse objetivo neste ano, muito antes do previsto", destacou, ao anunciar que a OTAN arrecadou R$ 721,47 bilhões adicionais em termos nominais.

"O dinheiro é fundamental, mas não se pode deter um míssil ou um tanque com um dólar ou um euro. Temos de transformar esse dinheiro em capacidades operacionais, e fazê-lo rapidamente", enfatizou.

Nesse contexto, Rutte afirmou que essa será uma prioridade comum para a cúpula da organização em Ancara, na Turquia, programada para os dias 7 e 8 de julho, bem como para os próximos anos.

"Precisamos de mais forças. Precisamos de mais recursos e de uma base industrial mais sólida", reiterou.

Washington contra OTAN

Após o início da guerra contra o Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, criticou o papel da OTAN, alegando que seus membros se recusaram a se envolver no conflito, nem mesmo de forma indireta.

Segundo a nova estratégia de defesa dos EUA, a Europa deve assumir a responsabilidade principal por sua própria defesa em resposta às ameaças que enfrenta.

"Em consonância com a abordagem do presidente [...], esta estratégia prioriza o enfrentamento das maiores ameaças aos interesses dos Estados Unidos. No entanto, não ignora as demais ameaças. Em vez disso, [...] baseia-se em [...] permitir que os aliados e parceiros dos EUA assumam a responsabilidade principal pela defesa contra essas outras ameaças, com um apoio americano crucial, porém mais limitado", afirma o documento.

Além disso, o texto destaca que, sob a liderança de Trump, "os aliados da OTAN comprometeram-se a aumentar os gastos com defesa para o novo padrão global de 5% do PIB no total, com 3,5% do PIB investidos em capacidades militares".