OTAN é uma 'relíquia da Guerra Fria' e precisa 'parar de incitar confrontos', diz China

Ao rebater acusações da aliança militar, Pequim afirmou manter posição "objetiva e justa" sobre o conflito ucraniano e ampliou suas críticas ao G7 e à estratégia militar dos EUA.

A China criticou, nesta quinta-feira (18), a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), classificando a aliança militar ocidental como uma "relíquia da Guerra Fria". A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, durante coletiva de imprensa.

A manifestação ocorre após o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, afirmar que a aliança acompanha de perto o suposto apoio chinês à Rússia na operação militar especial contra o regime de Kiev.

Em resposta, Jian afirmou que a China mantém uma posição "objetiva e justa". Segundo ele, o país não fornece armas letais a nenhuma das partes do conflito e mantém controles rigorosos sobre exportações de itens sensíveis.

O porta-voz acusou a aliança de alimentar tensões internacionais. "A OTAN precisa rever sua percepção equivocada da China e parar de incitar confrontos e transferir a culpa", declarou.

Críticas ao G7

As críticas chinesas não se limitaram à aliança militar. O governo também reagiu à declaração final do G7, grupo que reúne as principais economias industrializadas do Ocidente.

Embora o documento não cite diretamente a China, os líderes do G7 defenderam a redução da dependência global de minerais críticos e terras raras controlados por Pequim. A posição foi interpretada pelo governo chinês como uma tentativa de contenção econômica.

Jian afirmou que os controles de exportação adotados pela China seguem práticas internacionais e contribuem para a estabilidade global

"Exortamos o G7 a observar com seriedade os princípios da economia de mercado e as regras do comércio internacional, e a parar de perturbar a ordem comercial internacional com regras criadas por um pequeno grupo", disse.

'Mentalidade da Guerra Fria'

Em outro recado ao Ocidente, o porta-voz também atacou a política estratégica militar dos Estados Unidos. Pequim pediu que Washington abandone a "mentalidade da Guerra Fria", encerre acordos de compartilhamento nuclear e abandone políticas que considera provocativas.

Segundo a China, essas medidas são necessárias para preservar a paz regional e a estabilidade estratégica mundial. Por fim, Pequim instou aos norte-americanos a "cessarem as políticas e ações provocativas e a abolirem acordos como o de 'partilha nuclear' e o de 'dissuasão alargada'".