A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (18) a nona fase da Operação Compliance Zero. Foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão em endereços de pessoas ligadas ao senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, e ao banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro no Banco Master.
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Fortes indícios
A PF investiga suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo carteiras de crédito consignado. Segundo a PF, Wagner teria atuado como interlocutor de interesses ligados ao grupo investigado em discussões sobre a chamada "Emenda Master", o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e uma eventual aquisição do banco pelo BRB.
Os investigadores também apuram suspeitas de contrapartidas. Entre os benefícios sob análise estão um apartamento em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, repasses financeiros e viagens realizadas em aeronaves associadas ao grupo investigado.
A apuração também chega à BN Financeira, antiga BK, empresa da qual Bonnie de Bonilha — casada com Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner — é sócia.
De acordo com a PF, a empresa recebeu aproximadamente R$ 11 milhões do Banco Master entre 2021 e 2025 por serviços relacionados à prospecção de operações de crédito consignado. Mensagens obtidas pelos investigadores apontariam tratativas sobre pagamentos.
A Polícia Federal também examina a relação entre Wagner e Augusto Lima, que remonta a negócios realizados na Bahia. Mensagens e documentos apreendidos indicariam proximidade entre os dois e discussões sobre interesses ligados ao banco.
Senador alega inocência
O senador nega qualquer irregularidade. Em entrevista à Rádio Metrópoles, ele afirmou: "Não tenho nada a explicar".
Wagner também declarou estar "muito tranquilo" diante das investigações e sustentou que "a verdade sempre vencerá".
De acordo com a defesa do senador, foram colocados à disposição das autoridades os sigilos fiscal e bancário do parlamentar.
Até o momento, não há indiciamento formal contra Jaques Wagner. A PF segue analisando o material apreendido, enquanto o caso permanece sob investigação.
- A presunção de inocência é garantida pela legislação brasileira.