'Neoliberalismo agravou a desigualdade e a crise política nas democracias', diz Lula no G7

Presidente brasileiro afirma que, após mais de duas décadas participando de cúpulas do G8 e do G7, os principais desafios globais seguem sem respostas coletivas e duradouras.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (16), em discurso na cúpula do G7, na cidade francesa de Évian-les-Bains, que o "neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias". Para o presidente, é necessário que as nações assumam compromissos mais ambiciosos no combate às desigualdades.

Em publicação na rede social X, Lula transcreveu segmentos do discurso e lembrou que participa de cúpulas do G8 e do G7 desde 2003. Em sua avaliação, apesar dos desafios recorrentes enfrentados pela comunidade internacional, não foram construídas respostas coletivas e duradouras para os principais problemas globais.

Mundo "aprisionado em dogmas"

Segundo o presidente, o mundo permaneceu "aprisionado em dogmas" que defendem a desregulamentação dos mercados, o Estado mínimo e a austeridade fiscal como objetivos em si mesmos.

"O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas", sustentou.

Em alusão às recentes notícias envolvendo Elon Musk, que tornou-se o primeiro trilionário da história no dia anterior, Lula apontou para o aumento da desigualdade entre países ricos e pobres. Sem citar o sul-africano nominalmente, observou que ele "é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial".

Críticas aos gastos militares

O mandatário também voltou a criticar os gastos militares das nações mais ricas, destacando que cerca de US$ 3 trilhões são destinados anualmente ao setor. "Nossa tarefa é corrigir as desigualdades de um sistema que produz riqueza em abundância, mas distribui oportunidades de forma assimétrica", afirmou.

Vale lembrar que durante a Cúpula de Líderes do BRICS no Rio de Janeiro em junho de 2025, Lula criticou a decisão da OTAN em aumentar seus gastos militares para 5% do PIB. À época, classificou a medida como "falta de prioridade política".