O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou nesta terça-feira (16) com a presidente da Comissão Europeia,Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa. A reunião ocorreu na cidade francesa de Evian, no âmbito da cúpula do G7.
As conversas tiveram como destaque as "medidas de restrição a produtos brasileiros adotadas recentemente pela parte europeia", segundo nota oficial do Palácio do Planalto.
Como resultado do encontro, ficou acertada a criação de um mecanismo bilateral entre o Itamaraty e representantes da Comissão Europeia para identificar e discutir os entraves que afetam as exportações brasileiras, especialmente nos setores de produtos de origem animal e siderúrgicos.
"As partes se comprometeram a buscar soluções que contemplem as preocupações europeias, seja de ordem sanitária, fitossanitária e de proteção da sua indústria de aço, bem como os legítimos interesses exportadores do Brasil, consubstanciados no acordo Mercosul-União Europeia", conclui o comunicado.
Entenda:
No dia 6, a União Europeia proibiu oficialmente a importação de carnes, tripas, peixes e mel produzidos no Brasil. Conforme apuração da Agência Brasil, a medida foi adotada mesmo após Brasília proibir parte dos antimicrobianos comprovadamente utilizados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, um dos principais entraves nas negociações. Para Bruxelas, no entanto, ainda são necessárias garantias adicionais.
Em nota citada pelo veículo, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que o Brasil conta com "um dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo". A entidade acrescentou que a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo "rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente".
Apesar das justificativas sanitárias, a restrição também atende aos interesses do setor agropecuário europeu. Contrários ao polêmico acordo entre Mercosul e União Europeia, produtores do bloco promovem constantes protestos e manifestações e temem que o aumento das importações de carne e de outros produtos latino-americanos prejudique sua competitividade e comprometa a viabilidade econômica de suas atividades.