De norte a sul: saiba como o Super El Niño vai impactar a América Latina e o Brasil

Autoridades climáticas alertam para a chegada de um "Super El Niño" em 2026, com 80% de probabilidade de desenvolvimento até agosto.

Organizações e autoridades climáticas alertam que, para o restante de 2026, o planeta deverá enfrentar as consequências de um El Niño turbinado, ou Super Niño, que impactará severamente a América Latina, embora de maneiras diferentes dependendo da região.

De acordo com um relatório da Bloomberg, toda a região da América Central sofrerá com secas, altas temperaturas e perdas agrícolas, enquanto a América do Sul deverá experimentar ondas de calor devido ao aumento global das temperaturas, bem como chuvas intensas.

Preparativos 

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou, no início de junho, para a necessidade de preparativos para o fenômeno El Niño, devido à presença de "águas excepcionalmente quentes" no Pacífico tropical, que favorecem "o surgimento de condições típicas do El Niño, as quais influenciarão os padrões globais de temperatura e precipitação e aumentarão o risco de eventos climáticos extremos nos próximos meses".

A organização indica que 80% de probabilidade de um evento El Niño se desenvolver entre junho e agosto de 2026.

A probabilidade de que essas condições persistam pelo menos até novembro é estimada em cerca de 90% ou mais, embora o momento exato do pico do fenômeno e sua intensidade máxima sejam desconhecidos.

"O mundo deve tratar este evento como o que ele é: um alerta climático urgente. As condições associadas ao episódio El Niño irão agravar o aquecimento global. As consequências serão sentidas com ainda maior intensidade e seu alcance será ainda mais amplo, cruzando fronteiras a uma velocidade devastadora", alertou o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, em uma declaração em vídeo.

Padrão climático 

Em relação à temporada de furacões, os meteorologistas do Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA (NOAA) preveem que ela será "abaixo do normal para a bacia do Atlântico este ano", em torno de 55% da média.

A agência prevê um total de oito a 14 tempestades nomeadas com ventos de 56 km/h (35 mph). Dessas, espera-se que de três a seis se tornem furacões com ventos de 119 km/h (75 mph) ou mais, e de uma a três se tornem furacões de grande intensidade (categoria 3, 4 ou 5, com ventos de 178 km/h (110 mph) ou mais).

O padrão climático também afetará o sul dos EUA, com maior probabilidade de chuva e neve. Por exemplo, asinundações causadas pela maré alta podem representar um risco maior, especialmente na costa oeste.

O fenômeno também causará mudanças nos padrões de migração de peixes e outros organismos marinhos, com espécies de água quente se deslocando para o norte, enquanto espécies de água fria se deslocarão mais ao norte ou para águas mais profundas.