O memorando de entendimento entre os EUA e o Irã foi assinado eletronicamente no domingo pelo presidente dos EUA, Donald Trump, pelo vice-presidente JD Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, disseram altos funcionários do governo ao Axios na segunda-feira (15).
A extensão do cessar-fogo por 60 dias entrou em vigor imediatamente, abrangendo inclusive o Líbano. Contudo, o Estreito de Ormuz permanece sem plena operação até a assinatura formal. Uma das fontes indicou que um "diálogo regional" será realizado sobre o futuro do estreito e como evitar que ele se feche novamente.
Embora Trump tenha anunciado inicialmente a abertura "imediata", posteriormente condicionou a retomada à cerimônia de sexta-feira. Companhias marítimas como a Maersk aguardam garantias concretas de segurança, demonstrando cautela quanto ao retorno aos volumes pré-conflito.
Concordâncias e discordâncias
Em relação aos ganhos do Irã, a reportagem indica que ambos os lados concordam em dois pontos: o fim das hostilidades e a aprovação da suspensão das sanções para permitir as exportações de petróleo.
Ambos os lados, porém, têm versões diferentes sobre o que foi acordado, em parte porque as negociações foram conduzidas principalmente por meio de mediadores e porque o memorando representa um entendimento político geral.
Além disso, citou veículos de mídia iranianos alegando que o governo também receberia bilhões de dólares em fundos congelados simplesmente por assinar o acordo, uma afirmação negada por um alto funcionário americano.
Funcionários americanos negam veementemente pagamentos antecipados, vinculando benefícios econômicos plenos a um acordo nuclear detalhado. As negociações indiretas via mediadores e a natureza ampla do memorando permitem interpretações distintas, gerando preocupação até entre aliados como o senador Lindsey Graham.
Caminhos incertos
Funcionários reconhecem a dificuldade das negociações nucleares previstas para os próximos 60 dias, dado o histórico de desconfiança mútua.
Fontes indicaram que os EUA não retirarão suas forças da região sem um acordo nuclear, enquanto autoridades iranianas apontam que Trump queria encerrar a guerra e que o Irã agora tem poder de barganha.
A divulgação do texto completo nas próximas 48 horas — ou após sexta-feira, segundo Trump — poderá dissipar parte das ambiguidades que atravessam o memorando.
"Acho que saberemos nas próximas duas ou três semanas se esses entendimentos se transformarão em um acordo concreto", disse um alto funcionário do governo americano. "Este acordo atinge ambos os objetivos, e os Estados Unidos, nossos aliados e nossas tropas na região estarão mais seguros como resultado", afirmou.
Rumo a um acordo
- No domingo (14), o presidente americano Donald Trump anunciou, na rede social Truth Social, que "o acordo com a República Islâmica do Irã já está fechado", que a passagem de Ormuz será aberta sem pedágio e que os Estados Unidos encerrarão imediatamente o bloqueio naval contra o Irã.
- Primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que mediou o acordo, afirmou que ele também inclui o Líbano e que a cerimônia de assinatura está agendada para o dia 19 de junho, na Suíça.
- O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, também confirmou a assinatura do memorando de entendimento. o vice-ministro explicou que, conforme acordado, "a partir desta noite, será anunciado o fim imediato e definitivo da guerra e das operações militares em várias frentes, incluindo o Líbano".