Os Estados Unidos e Israel cometeram muitos erros em sua campanha militar conjunta contra o Irã, declarou o presidente de Belarus, Aleksander Lukashenko ao canal saudita Al Arabiya na sexta-feira (12) e publicada na segunda (15).
Segundo Lukashenko, os bombardeios americano-israelenses acabaram produzindo um efeito contrário ao desejado por seus autores.
"A sociedade iraniana já estava um tanto fragmentada antes desse conflito. Os americanos e israelenses contribuíram para unificá-la. Da perspectiva deles, isso é um erro. Para o Irã, é algo positivo", avaliou.
Material nuclear
As críticas se seguem ao apontar o erro norte-americano ao rejeitar a proposta iraniana de transferir urânio enriquecido para a China.
O presidente belarusso argumenta que Pequim, enquanto potência nuclear estabelecida, poderia manter esses materiais sob controle adequado, similar ao modelo de seu prório país com fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
"Isso teria dado à China uma grande vantagem? De jeito nenhum. A China não tem o mesmo número de ogivas nucleares que a Rússia e os Estados Unidos. Bem, teria cerca de dez mísseis a mais", disse Lukashenko.
A recusa americana, na sua avaliação, decorreu de motivações estritamente políticas devido à rivalidade com a China, ignorando soluções pragmáticas. O Irã, por princípios diplomáticos, jamais entregaria materiais sensíveis ao que considera seu agressor, tornando a intransigência dos EUA um impasse desnecessário que bloqueou alternativas viáveis de resolução.
"É por isso que eles se emperraram, por assim dizer, em questões insignificantes do ponto de vista da resolução do conflito. Tínhamos que avançar nessa direção", enfatizou.
Provocação
Quanto à responsabilidade pelo conflito, Lukashenko reconheceu a influência do lobby israelense em Washington, mas rejeitou a tese de manipulação unilateral.
Segundo ele, uma superpotência como os EUA não seria arrastada involuntariamente para confronto por parceiro menor, concluindo que Washington desejava esse envolvimento bélico, cometendo assim erro fatal.