A Rússia voltou a defender, nesta segunda-feira (15), que uma eventual reforma do Conselho de Segurança da ONU amplie a representação de países em desenvolvimento da América Latina, Ásia e África, rejeitando propostas que deem prioridade à expansão da participação da Europa Oriental. A posição foi reiterada durante sessão da Assembleia Geral dedicada à necessidade de reformar o órgão.
Em discurso, a encarregada de negócios da Missão Permanente da Rússia na ONU, Anna Evstigneeva, classificou como "bastante discutível" a ideia de considerar a Europa Oriental uma região sub-representada. Segundo ela, essa tese "contradiz o objetivo central da reforma", que seria elevar a presença de países em desenvolvimento no Conselho.
A reunião desta segunda-feira teve como objetivo discutir pontos de convergência e divergência sobre a reforma do Conselho de Segurança, incluindo temas como o direito de veto, as categorias de membros e a representatividade regional.
Para Evstigneeva, os desacordos entre os países persistem, mas o debate sobre o direito de veto evoluiu. De acordo com a diplomata, um número crescente de delegações reconhece que a extinção desse mecanismo é pouco realista, deslocando a discussão para possíveis limitações voluntárias ao seu uso.
Apoio histórico ao Brasil
A Rússia tem reiterado em diversas ocasiões seu apoio ao Brasil como candidato a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Em janeiro de 2025, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, afirmou que Brasil e Índia "há muito tempo merecem" integrar o órgão nessa condição.
Na ocasião, Lavrov argumentou que "o Ocidente já não é capaz, como na época colonial, de impor suas ordens ao mundo e desviar a riqueza dos países da Ásia, África e América Latina", defendendo uma governança internacional mais alinhada à atual distribuição de poder global.
Mais recentemente, em fevereiro deste ano, Moscou voltou a classificar Brasília como um "forte e natural candidato a membro permanente" em uma declaração conjunta sobre a reforma do Conselho de Segurança. No texto, Brasil e Rússia defenderam o avanço das mudanças para tornar o órgão "mais representativo", por meio da inclusão de países em desenvolvimento da América Latina, Ásia e África, "em conformidade com as realidades do mundo multipolar".