
Monitor de discriminação da Copa do Mundo pede afastamento de oficial do VAR por gesto 'neonazista'

O monitor de discriminação da Copa do Mundo pediu nesta segunda-feira (15) que a Fifa retire das funções no torneio o analista de vídeo australiano Shaun Evans, após ele aparecer em uma transmissão oficial fazendo um gesto com a mão que, segundo a organização Fare, se assemelha a um símbolo associado à supremacia branca. A informação foi divulgada pelo The Washington Post.
Antes da partida de estreia da Alemanha contra Curaçao, disputada no domingo (14), a transmissão oficial mostrou a equipe de analistas responsáveis pela revisão em vídeo.
Durante a apresentação, Evans fez com a mão direita o sinal de "OK" em frente à perna direita.

Fare pede exclusão do oficial
Em comunicado, a rede Fare, parceira de longa data da Fifa e da Uefa no monitoramento de cantos, bandeiras e símbolos racistas e discriminatórios em jogos internacionais, afirmou que especialistas consultados consideram que o gesto "claramente se assemelha" ao símbolo de "white power" utilizado por grupos de extrema direita.
"Os conselhos dos nossos especialistas são de que o gesto utilizado claramente se assemelha ao símbolo da mão em 'OK' invertido usado como símbolo de 'white power'", declarou a entidade.
A organização acrescentou que "este oficial não deve desempenhar mais nenhum papel nesta Copa do Mundo", classificando o gesto como "neonazista".
A Fifa não havia comentado o caso até a publicação deste texto.
#15Jun | El Monitor de discriminación de la FIFA en la Copa Mundial 2026 llamó hoy a despedir a un árbitro supervisor de VAR por presuntamente hacer un gesto con la mano parecido a un signo supremacista blanco, según informó la agencia AP.
— El Diario (@eldiario) June 15, 2026
El #14Jun, el australiano Shaun Evans,… pic.twitter.com/Sek8uW4APL
Contexto do símbolo
Em 2019, a organização Anti-Defamation League (ADL), sediada em Nova York, classificou o gesto, formado pelo polegar e indicador unidos em círculo e os demais dedos estendidos, como símbolo de ódio.
Na ocasião, o diretor do Centro de Extremismo da ADL, Oren Segal, afirmou que o contexto é fundamental para determinar se o símbolo é ofensivo ou inofensivo. Segundo ele, "há volume suficiente de uso para fins de ódio para que considerássemos importante incluí-lo".
A Fare também questionou a atitude do oficial durante a transmissão. "Por que um supervisor do VAR está usando este símbolo em um evento global de futebol no exato momento em que sabe que as câmeras estão voltadas para ele?", afirmou a entidade.
A organização acrescentou que "nos dois jogos seguintes, parece que os diretores de TV deixaram de apresentar o painel do VAR ao público".

