
Kremlin reage a declarações de Rubio: EUA admitem não ser mediador imparcial na Ucrânia

A Rússia considera as declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, de que Washington está "do lado da Ucrânia", mas continua a valorizar a sinceridade do presidente Donald Trump em seu desejo de paz, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, neste domingo (7).

"Naturalmente, existem diferentes pontos de vista entre os membros da equipe. Alguns estão sinceramente tentando contribuir para uma solução pragmática, enquanto outros têm uma posição diferente", declarou o porta-voz. "Mas, no geral, vemos que o presidente [Trump] quer sinceramente acabar com esta guerra. E apreciamos sua sinceridade e vontade política."
Vieses e cartadas
Marco Rubio reconheceu na quarta-feira (3) que os Estados Unidos não são um mediador imparcial nas negociações para resolver o conflito ucraniano. "Para ser justo e franco, não somos mediadores imparciais nessa guerra. Não fornecemos armas à Rússia. Fornecemos armas apenas à Ucrânia", declarou ele perante o Congresso.

"Não impusemos sanções à Ucrânia. Impusemos sanções apenas à Rússia. Portanto, claramente tomamos partido", acrescentou.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, comentou na quinta-feira (4) que as declarações de Rubio foram interessantes. Segundo Lavrov, esta foi a primeira vez que um representante americano admitiu publicamente que os Estados Unidos não podem ser mediadores, uma vez que apoiam abertamente a Ucrânia, inclusive com o fornecimento de armamentos.
O chanceler russo destacou que, inicialmente, o presidente Donald Trump demonstrou intenção de interromper o conflito, sugerindo que Trump aparentemente obteve algum sucesso nas negociações no Alasca. Contudo, Lavrov expressou ceticismo quanto aos atuais objetivos reais dos Estados Unidos.
"Agora, eles provavelmente estão olhando em volta e dizendo: 'Que a guerra continue, porque expulsaremos a Rússia e a China dos mercados mundiais como concorrentes'", concluiu.

