Eleições na Armênia: quem está disputando e o que está em jogo

O processo eleitoral abre portas para definir não apenas a futura composição do parlamento armênio, mas também a orientação geopolítica do país.

Quase 3 milhões de armênios votam neste domingo (7) em eleições parlamentares que decidirão não apenas a composição do Parlamento, mas também o rumo geopolítico da ex-república soviética.

A disputa opõe o primeiro-ministro, Nikol Pashinyan, a blocos de oposição que defendem laços mais estreitos com a Rússia. Sendo a Armênia uma república parlamentar, o partido vencedor formará governo e nomeará o primeiro-ministro, concentrando poder político significativo pelos próximos cinco anos.

Atores em disputa

O partido Contrato Civil, de Pashinyan, governa a Armênia desde 2018 e continua sendo o partido mais popular nestas eleições. A questão crucial é se o partido conseguirá garantir novamente a maioria constitucional, o que lhe permitiria governar sem parceiros de coalizão.

Pashinyan defende aproximação com a União Europeia e promove mudanças que têm gerado controvérsia, inclusive contra a Igreja Apostólica Armênia.

Seus principais adversários são o bloco Armênia Forte, de Samvel Karapetyan, empresário bilionário preso em junho de 2025 após defender a Igreja; a Aliança Armênia, liderada pelo ex-presidente Robert Kocharyan; e o partido Armênia Próspera, de Gagik Tsarukyan. Todos prometem reformas econômicas e criticam Pashinyan por prejudicar as relações com Moscou.

Se o partido governista não obtiver maioria absoluta e a oposição formar coalizão com mais de 50% dos votos, poderá nomear um novo primeiro-ministro e destituir Pashinyan. Caso nenhum lado alcance maioria suficiente, haverá segundo turno. Observadores destacam que o resultado pode alinhar a Armênia definitivamente ao Ocidente ou preservar sua integração regional.

Aproximação ocidental

estreitamento dos laços com a UE, que Pashinyan está promovendo ativamente, se tornou um fator de peso na campanha. 

Em maio, Armênia e União Europeia assinaram acordos de parceria sobre conectividade, transporte, energia e gestão de fronteiras durante cúpula bilateral em Yerevan, capital do país. Embora o bloco europeu não tenha formalizado convite de adesão, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, celebrou o potencial da Armênia como "centro estratégico" conectando Europa, Cáucaso do Sul e Ásia Central.

O presidente russo, Vladimir Putin, provocou a Armênia a definir sua orientação política e econômica "o mais rápido possível", visto que o país é membro da União Econômica Eurasiática (UEE) e que as recentes medidas tomadas por Yerevan levantam incompatibilidades com os princípios do grupo.