Notícias

Bloco pós-soviético emerge como novo polo econômico em um mundo multipolar, afirma diplomata russo

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia destaca o crescimento do comércio intra-bloco e a expansão de parcerias com o Sul Global como novos pilares da resiliência econômica da União Econômica Euroasiática.
Bloco pós-soviético emerge como novo polo econômico em um mundo multipolar, afirma diplomata russoGettyimages.ru

Em entrevista concedida à RT nesta quarta-feira (27), o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Aleksandr Pankin, afirmou que a União Econômica Euroasiática (UEE) está se consolidando como um centro econômico vital em um cenário global multipolar. Segundo o diplomata, o bloco está redirecionando suas conexões comerciais para o chamado "Sul Global" em um movimento de integração que compensa o declínio das relações com os países ocidentais.

Pankin destacou o crescimento expressivo do comércio intra-bloco, que atingiu a marca de US$ 95 bilhões no último ano — quase o dobro do volume registrado em 2014, período que antecedeu a criação da união. Além da integração interna, o vice-ministro ressaltou a expansão acelerada das parcerias externas. Em 2025, o fluxo comercial com o Vietnã cresceu 90%, o intercâmbio com o Irã saltou 170% e as operações com a China mais que dobraram.

Para o diplomata, as sanções ocidentais impostas à Rússia e aos seus aliados funcionaram como um "teste de estresse" para a União Econômica Eurasiática (UEE). Em vez de enfraquecer o bloco, as restrições teriam impulsionado a diversificação de rotas logísticas, o desenvolvimento de novas tecnologias e uma busca maior por autossuficiência econômica, tornando a união mais resiliente e menos dependente de parceiros externos tradicionais.

O foco estratégico da UEE agora se volta para a Ásia, África e América Latina. Pankin mencionou a cooperação estreita com a China, as negociações em curso com a Índia e o fortalecimento dos laços com nações como Emirados Árabes Unidos, Indonésia e o próprio Irã. Ele pontuou que a união já assinou mais de 80 memorandos de entendimento com parceiros internacionais, a maioria situada no Sul Global.

Ao analisar o impacto macroeconômico, o vice-ministro classificou o crescimento de 1,7% do PIB real da união no último ano como um resultado positivo "dadas as circunstâncias". De acordo com Pankin, a UEE não está apenas expandindo seu comércio, mas elevando sua importância institucional ao ampliar o diálogo com organizações como a ONU, a Organização de Cooperação de Xangai (OCX) e a ASEAN.