Rússia e Cuba planejam desenvolver em conjunto vacinas contra o câncer, anunciou na quinta-feira (4) o vice-primeiro-ministro russo, Dmitry Chernyshenko, durante o Diálogo Empresarial Rússia-Cuba, no âmbito do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF).
A parceria amplia a cooperação entre os dois países, que em 2025 já tinham registrado o fornecimento de 6 toneladas de substâncias para a produção de medicamentos por parte de Moscou para a ilha caribenha.
Como funcionaria a vacina
O foco da cooperação técnica está na criação de imunizantes personalizados, que utilizam o próprio sistema imunológico do paciente para identificar e destruir células tumorais.
De acordo com uma conversa de Veronika Skvortsova, chefe da Agência Federal Médico-Biológica da Rússia, com a RT, a tecnologia baseia-se na identificação de neoantígenos — marcadores específicos nas membranas das células malignas.
Ao introduzir peptídeos que replicam esses marcadores, o organismo é treinado para atacar seletivamente os tumores sem afetar células saudáveis.
Para aumentar a precisão, pesquisadores russos utilizam inteligência artificial para mapear mutações no genoma humano.
Atualmente, cientistas russos trabalham em três frentes principais: vacinas de RNA mensageiro (como a NeoOncovac, voltada para o melanoma), vacinas peptídicas (como a Oncopept) e vacinas baseadas em vírus oncolíticos (como a EnteroMix).
Sobre a Oncopept, Skvortsova informou que os primeiros pacientes em ensaios clínicos, que começaram entre o final de março e o início de abril, já apresentam sinais de redução no tamanho dos tumores após apenas quatro aplicações.
Os resultados definitivos devem ser divulgados em cerca de um mês.
A colaboração também inclui a expertise cubana, que desenvolveu recentemente o HEBERSaVax. O produto utiliza a imunoterapia ativa para combater diversos tipos de tumores, atuando não apenas na produção de anticorpos, mas também no bloqueio do suprimento de nutrientes e oxigênio do tumor, interrompendo seu crescimento.
O acordo entre Moscou e Havana promete unir essas tecnologias para acelerar o avanço de tratamentos oncológicos.