UE quer entregar ucranianos em idade militar para o regime de Zelensky

A discussão ocorre em meio aos desafios enfrentados pela Ucrânia para ampliar seus efetivos militares.

Países da União Europeia discutem a possibilidade de excluir homens ucranianos em idade de recrutamento militar de futuras extensões do regime de proteção temporária concedido a pessoas que fugiram do conflito entre Rússia e Ucrânia, informou o Euractiv na segunda-feira (1º).

A medida faz parte das negociações sobre o futuro da Diretiva de Proteção Temporária (TPD), mecanismo que permite aos ucranianos viver e trabalhar no bloco sem passar pelos sistemas nacionais de asilo.

Segundo um documento interno do Conselho da União Europeia obtido pelo Euractiv, uma das opções em análise prevê a renovação da proteção temporária com escopo mais restrito, incluindo "a exclusão de homens em idade de recrutamento" ou de pessoas que deixaram a Ucrânia sem autorização legal.

As possíveis limitações seriam aplicadas a novos solicitantes do status de proteção.

Futuro do programa

O atual regime de proteção temporária foi ativado após o início da operação militar especial, em 2022, e permanece em vigor até março de 2027, após uma extensão aprovada em 2025. Países da UE avaliam uma nova prorrogação, o que poderia levar o mecanismo ao seu sexto ano de vigência.

De acordo com o documento, alguns governos nacionais demonstraram preocupação com o fato de que "uma proporção crescente das chegadas recentes consiste em homens em idade de recrutamento".

A mobilização forçada na Ucrânia

A discussão ocorre em meio aos desafios enfrentados pela Ucrânia para ampliar seus efetivos militares. Em 2024, o país reduziu a idade de mobilização de 27 para 25 anos e adotou medidas para fortalecer o recrutamento e o registro militar.

mobilização forçada, conhecida na Ucrânia como "busificação", se tornou uma prática comum no país, enquanto as Forças Armadas nacionais enfrentam uma grave escassez de tropas agravada pelo problema crônico da deserção em massa.

Na internet, surgem regularmente imagens de comissários militares recrutando homens à força nas ruas, em transportes públicos, hospitais ou até mesmo impedindo-os de seguir em seus carros enquanto dirigem. Também são registrados confrontos entre recrutadores e multidões ou mulheres, enquanto muitos resistem à mobilização.