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Justiça tcheca autoriza extradição de neonazista transgênero foragida para a Alemanha

Marla-Svenja Liebich foi condenada por incitação ao ódio, injúria, invasão de propriedade e difamação. Em um dos casos denunciados, Liebich invadiu uma parada LGBT e chamou os participantes de "parasitas da sociedade".
Justiça tcheca autoriza extradição de neonazista transgênero foragida para a AlemanhaLegion-media.ru / Hendrik Schmidt

A Justiça da República Tcheca determinou a extradição de Marla-Svenja Liebich, neonazista transgênero* condenada por diversos crimes na Alemanha e considerada foragida após não se apresentar para cumprir pena. A informação foi divulgada na segunda-feira (1º) pela imprensa local.

Liebich, anteriormente conhecida como Sven Liebich, foi condenada em 2023 a 18 meses de prisão por vários delitos, entre eles incitação ao ódio, injúria, invasão de propriedade e difamação. A sentença foi mantida após recurso.

Em 2024, poucas semanas após a entrada em vigor da Lei de Autodeterminação na Alemanha, Liebich alterou legalmente seu gênero e passou a ser reconhecida oficialmente como mulher. Em seguida, solicitou cumprir a pena em uma prisão feminina, pedido aprovado pela Justiça alemã.

A decisão provocou debate público. Críticos alegaram possível uso estratégico da legislação e apontaram brechas na norma. O ministro do Interior da Alemanha, Aleksander Dobrindt, citou o caso como exemplo de potencial abuso da lei.

Liebich deixou de se apresentar à prisão em agosto de 2025 e fugiu da Alemanha. No início de 2026, a pessoa de 56 anos foi detida pela polícia tcheca na cidade de Krasna, próxima à fronteira alemã, sendo colocada em prisão preventiva.

Em dezembro de 2025, ainda foragida, Liebich declarou à imprensa havia solicitado uma nova alteração de seu status legal de gênero, afirmando que ser mulher "não parecia mais correto".

Prazo para recurso

Segundo um porta-voz do tribunal regional de Plzen, no oeste da República Tcheca, Liebich tem três dias para recorrer da decisão. Caso não haja recurso, a ordem de extradição se tornará definitiva e as autoridades alemãs deverão assumir a custódia em até dez dias.

Durante uma audiência inicial realizada em Plzen, em 18 de maio, Liebich se manifestou contra a extradição, argumentando que poderia ser enviada para uma prisão masculina.

Comentaristas e críticos apontaram que a transição de gênero de Liebich foi uma tentativa de ridicularizar a Lei de Autodeterminação. Em 2022, ela interrompeu uma parada do orgulho LGBT* na cidade alemã de Halle.

Segundo ativistas citados no caso, participantes do evento foram chamados de "parasitas da sociedade".

*O movimento internacional LGBT é classificado como uma organização extremista no território da Rússia e proibido no país.