O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quarta-feira (3) que suas divergências com o presidente dos EUA, Donald Trump, são apenas "desacordos táticos", após relatos de que o líder norte-americano o criticou duramente durante uma conversa telefônica.
Em entrevista à CNBC, a jornalista Sara Eisen mencionou que Trump o teria chamado de "louco de m*rda" e perguntou qual foi sua reação. Netanyahu respondeu que os dois já enfrentaram situações piores, mas sempre encontraram uma solução. Ele acrescentou que manteve "milhares" de conversas com o presidente norte-americano e não entraria em detalhes.
"Às vezes, como acontece nas melhores famílias, surgem divergências táticas. Sempre encontramos uma maneira de resolvê-las. E fazemos isso como bons amigos. Podemos discordar pela manhã e, à tarde, agir em comum acordo", declarou. Segundo ele, ambos os líderes concordam "nos pontos principais".
Anteriormente, foi divulgado que Trump criticou duramente Netanyahu durante uma ligação telefônica por causa da escalada das tensões com o Líbano.
"Você estaria na prisão se não fosse por mim. Estou salvando sua pele. Agora todo mundo odeia você. Todo mundo odeia Israel por causa disso", teria dito o presidente norte-americano, segundo relatos.
De acordo com Trump, Netanyahu vinha intensificando de forma desproporcional a situação com o Líbano nos últimos dias.
"Isso me incomodava um pouco, porque ele estava sempre brigando com o Líbano", afirmou.
Por esse motivo, Trump teria barrado um plano israelense de bombardear Beirute, advertindo que a medida "isolaria ainda mais Israel".
Trump "deveria ter uma chance"
Netanyahu afirmou que mantém uma "grande relação" com Trump.
"Esta tem sido uma grande relação porque ele foi o melhor amigo que Israel já teve na Casa Branca. E eu o respeito. Eu o respeito", destacou.
Na mesma linha, Trump declarou que tem uma "relação muito boa" com Netanyahu.
"Trabalhamos muito bem juntos. Gosto muito do 'Bibi'", disse.
Um dos temas em que, segundo Netanyahu, ambos concordam é o programa nuclear iraniano.
"Queremos garantir que o Irã não represente uma ameaça para Israel, para o Oriente Médio nem para os Estados Unidos, e que não desenvolva armas nucleares nem os meios para lançá-las", afirmou.
Nesse contexto, o primeiro-ministro declarou que Trump "deveria ter uma chance" para resolver a questão.
"Acredito que tudo isso está sobre a mesa e que o presidente acredita que pode alcançar esse objetivo por meio de pressão diplomática e negociações difíceis", concluiu.
Apesar das acusações de Trump de que o Irã busca desenvolver armas nucleares, as autoridades iranianas reiteraram em diversas ocasiões que seu programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos, voltados para a geração de energia, o desenvolvimento da saúde e da agricultura, a conservação de alimentos e o avanço da pesquisa científica, sem a intenção de produzir armas nucleares.