O governo do Irã continua analisando o texto final de um possível entendimento com os Estados Unidos para encerrar as hostilidades e, até o momento, não enviou resposta à proposta apresentada por Washington. A informação foi divulgada nesta terça-feira (2) pela agência iraniana Mehr, com base em uma fonte próxima às negociações.
Segundo a publicação, o documento segue em debate interno em Teerã, que avalia com cautela as condições para um eventual acordo destinado a encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro, após ações militares dos Estados Unidos e de Israel.
A fonte afirmou que a desconfiança da República Islâmica em relação a Washington, motivada por episódios anteriores de descumprimento de compromissos, levou o governo iraniano a adotar uma postura mais rígida nas negociações. Nesse cenário, Teerã busca garantias concretas, mecanismos que permitam reverter eventuais medidas e ações executivas passíveis de verificação antes de encaminhar uma resposta à Casa Branca.
As discussões ocorrem em meio a um cessar-fogo considerado frágil, ameaçado por trocas de ataques entre as partes envolvidas e pelas operações militares israelenses no Líbano.
Conversas sob pressão
A informação foi divulgada um dia após a agência iraniana Tasnim noticiar que a equipe negociadora do país havia suspendido as conversas e a troca de mensagens com os Estados Unidos em protesto contra os ataques israelenses ao Líbano. Segundo a agência, uma das condições prévias para as negociações do cessar-fogo incluía o fim das hostilidades contra o país árabe.
Questionado sobre os relatos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu governo não havia recebido qualquer comunicado do Irã sobre uma possível interrupção das negociações. Ainda assim, disse que não se preocuparia caso as conversas fossem encerradas.
"Sinceramente, não me importo se acabaram. Realmente não me importo; não me importo nem um pouco", declarou.
Posteriormente, porém, Trump afirmou na segunda-feira (1º) ter mantido uma "conversa muito produtiva" com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Segundo o presidente americano, Netanyahu prometeu não enviar tropas para a capital libanesa, Beirute.
Trump acrescentou ainda que Israel e o movimento xiita libanês Hezbollah concordaram em interromper os ataques mútuos.
Após a conversa, o presidente dos Estados Unidos declarou que "as negociações com a República Islâmica do Irã continuam avançando em bom ritmo".