Duas pessoas morreram no centro do Quênia na segunda-feira (1º) durante um protesto na cidade de Nanyuki contra planos dos EUA para a instalação de um centro de quarentena para Ebola em uma base militar local, informaram o organizador da manifestação, Patrick Wahome, e uma fonte de segurança à Reuters, nesta terça-feira (2).
A instalação, com capacidade para 50 leitos, se destinaria a receber cidadãos norte-americanos expostos ao vírus do Ebola, apesar da ausência de casos no país africano. O Tribunal Superior queniano suspendeu o projeto na quinta-feira (29), após ação judicial que questionava riscos à saúde pública e falta de transparência no acordo.
As demonstrações se concentraram nas vias de acesso à base aérea de Laikipia, com barreiras incendiadas e confrontos com forças de segurança. Organizadores exigiram o cancelamento definitivo do centro, argumentando que a proximidade entre militares da base e a população civil colocaria toda a comunidade em perigo.
Autoridades policiais e militares reforçaram o patrulhamento na região, enquanto aeronaves norte-americanas continuaram operações no local durante o fim de semana, aparentemente ignorando a determinação judicial.
O governo dos Estados Unidos se comprometeu com investimento de US$ 13,5 milhões (cerca de R$ 67,8 milhões) em preparação contra o Ebola no Quênia, porém detalhes sobre o funcionamento do centro permaneceram escassos.
« ENTENDA O QUE É EBOLA, VÍRUS COM TAXA DE MORTALIDADE ATÉ 90% QUE PREOCUPA O MUNDO ATÉ HOJE »
O Ministro da Saúde queniano afirmou que a unidade integrava esforços mais amplos de fortalecimento dos sistemas de resposta emergencial e não seria exclusiva para americanos. A declaração contrariou informações de funcionários norte-americanos sobre o propósito da instalação.
Manifestantes questionaram por que o tratamento não ocorreria na República Democrática do Congo ou em Uganda, países onde o surto já causou mais de duzentas mortes. Moradores ressaltaram que suas famílias frequentam as mesmas escolas que funcionários militares da base, tornando inevitável a disseminação em caso de contaminação. A resistência popular refletiu indignação com a possibilidade de que o Quênia assuma riscos sanitários relacionados a uma epidemia que não o afeta diretamente.