Moraes ironiza quem chama Papa Leão XIV de 'comunista' por pedir regulação da IA em encíclica

Para o ministro, que citou a encíclica de Leão XIV, as empresas de tecnologia usam algoritmos que são direcionados para manipular a opinião pública e violam as soberanias dos Estados.

O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Alexandre de Moraes, ironizou nesta segunda-feira (1º), durante o Fórum de Lisboa, as acusações lançadas contra o Papa Leão XIV em seu esforço de regulamentação das plataformas digitais.

"Não se pode dizer que o Papa é comunista", debochou Moraes.

O ministro citou a mais recente encíclica do papa, que trata de questões como inteligência artificial e concentração de poder das big techs, ao alertar para os riscos de tal acúmulo de influência e recursos nas mãos de poucas empresas de tecnologia.

"Quando um poder dessa magnitude se concentra na mão de poucos, ele tende a se tornar opaco e fugir ao controle público", disse Moraes, parafraseando o Papa.

Para o ministro, houve uma "ingenuidade" generalizada ao se acreditar que os algoritmos das redes sociais eram neutros. "Todos nós acabamos permitindo uma manipulação", afirmou. Moraes ressaltou que as big techs acumularam informações em escala inédita sobre seus usuários.

"O maior banco de dados da humanidade é das big techs", disse.

O magistrado argumentou que esses dados são usados para direcionar conteúdos e influenciar comportamentos. Em sua avaliação, os algoritmos não são aleatórios e contribuem para manipular bolhas digitais.

Ao defender regras para o setor, Moraes criticou a ideia de que a regulamentação representaria uma "ameaça" à liberdade de expressão.

"Não havendo neutralidade, deve haver regulação", declarou. Segundo ele, nenhuma atividade econômica com tamanho impacto social deixou de ser submetida a normas.