
Fé e inteligência artificial: estudo revela lacuna entre expectativas e respostas de aplicativos religiosos

A crescente presença da inteligência artificial no âmbito religioso, por meio de aplicativos de oração e assistentes virtuais, tem gerado questionamentos sobre sua capacidade de abordar questões de fé.
Um estudo inédito do Consórcio para a Avaliação da Fé e da Ética na IA, que entrevistou 1.125 adultos americanos, revelou uma disparidade significativa entre o que os usuários esperam e o que a IA entrega.

Os resultados mostraram que, ao responder perguntas sobre temas morais e pessoais, entre 45% e 59% dos participantes esperavam referências religiosas. No entanto, os sistemas de IA incluíram tais referências em apenas 5% a 16% dos casos.
A lacuna foi mais evidente em questões sobre dor e perda, onde 59% esperavam uma dimensão espiritual, mas a IA a incorporou em somente 16% das respostas.
O estudo também identificou padrões de viés, diante da clara preferência da ferramenta por religiões como catolicismo e bahaísmo, enquanto tratou ateísmo e testemunhas de Jeová de forma menos positiva.
O reverendo John Paul Kimes, da Universidade de Notre Dame, alertou que excluir vozes religiosas empobrece o debate. Os pesquisadores concluíram que a IA precisa encontrar um equilíbrio, reconhecendo quando a espiritualidade é relevante sem fazer proselitismo.
