Em entrevista ao Metrópoles publicada neste domingo (31), o consultor financeiro Ricardo Siqueira Rodrigues, conhecido como 'Ricardo Gordo', que era pago pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para captar recursos de fundos da previdência estaduais e municipais, afirmou que deverá revelar à Polícia Federal (PF) quem seria o "dono" do RioPrevidência que dava aval político para que a instituição realizasse vultuosos investimentos no extinto Banco Master.
Rodrigues foi alvo da 8ª fase da Operação Compliance Zero, que realizou um mandato de busca e apreensão na casa do ex-governador do RJ, Cláudio Castro (PL), para investigar as transferências bilionárias do RioPrevidência ao Banco Master. A operação foi embasada em um áudio enviado pelo consultor financeiro a Vorcaro em outubro de 2023, em que Rodrigues diz que o RioPrevidência tem um "dono" e que somente com o consentimento dele a instituição poderia comprar títulos de renda fixa do Master.
"Então assim, o que eu posso fazer é dar um encaminhamento técnico. Lá [RioPrevidência] é diferente dos outros lugares, mas esse encaminhamento político tem que ser feito, porque lá tem dono, tá?", disse Rodrigues a Vorcaro no áudio transcrito pela PF.
Entre outubro de 2023 e julho de 2024, cerca de R$ 970 milhões foram investidos em títulos de renda fixa do Banco Master, ao que posteriormente R$ 2 bilhões foram aplicados pela RioPrevidência em fundos da instituição de Vorcaro.
O consultor negou que tenha atuado como lobista do ex-banqueiro no meio político e, ao ser pressionado pela reportagem a dizer quem seria o tal "dono" do RioPrevidência, Rodriguez afirmou que deverá revelar sua identidade ou à PF ou à Procuradoria-Geral da República (PGR), mas que Cláudio Castro não era o único que gozava de influência polítina na instituição.
"O Cláudio Castro, com quem eu nunca tive contato, é claro que tinha uma influência enorme, já que era o governador do Estado. Mas eu entendo que não era só ele que tinha influência bem elevada com relação à possibilidade ou não de liberar esses investimentos [do RioPreviência] para serem feitos [no Master]", revelou Rodrigues na entrevista.
Ainda segundo a reportagem, seria uma incumbência de Antônio Rueda, presidente do União Brasil, a indicação de dirigentes do RioPrevidência durante o governo de Cláudio Castro. O ex-presidente da instituição, Deivis Marcon Antunes, que foi preso em fevereiro em uma das operações da PF, havia sido uma indicação de Rueda, que nega qualquer influência na RioPrevidência.