A Fundação Ezequiel Dias (Funed) possui uma pendência contratual superior a 1,57 milhão de doses de insulina destinadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) foi revelada por registros públicos avaliados pelo jornal Metrópoles, faltando apenas 30 dias para o término do acordo estabelecido.
O volume inadimplente equivale a aproximadamente um quinto do montante pactuado em junho do ano anterior, quando a o governo federal firmou o compromisso com o laboratório público controlado pelo estado de Minas Gerais. O material, porém, não é preparado pela Funed, mas pela farmacêutica Biomm, que possui vínculos com o escândalo do Banco Master.
O fundo Cartago FIA, administrado pelo Banco Master de Daniel Vorcaro, detinha 26% da companhia até abril, quando foi dissolvido em meio às controvérsias envolvendo a instituição financeira. As participações transitaram inicialmente para o Banco de Brasília, que rapidamente as repassou à gestora Alaska Asset Management, reconfigurando completamente o controle societário da empresa.
Associações internacionais
Adicionalmente, o laboratório indiano Wockhardt, que coopera com a Biomm na produção das insulinas, solicitou modificações no procedimento de fabricação logo após a assinatura do contrato. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), porém, indeferiu o pleito após meses de avaliação. Paralelamente, a representante brasileira da companhia acumula débitos de R$ 822 mil em Pernambuco, inscritos em dívida ativa estadual.
A Biomm atribuiu as alterações no cronograma aos conflitos no Golfo Pérsico e restrições globais, afirmando que apenas 3% do volume aguarda procedimentos burocráticos. Diante da situação, as autoridades sanitárias acionaram formalmente a farmacêutica.
O Ministério da Saúde, porém, garantiu não haver desabastecimento na rede pública, destacando que 85,7% das entregas foram concluídas. A pasta vem recorrendo a contratos emergenciais com fornecedores chineses para prevenir crises, incluindo produtos sem registro na agência reguladora.
Em 2017, a parceria firmada entre a Biomm e a Wockhardt representou a retomada da produção nacional de insulina após duas décadas de interrupção, visando atender metade da demanda brasileira pela substância.