A Fiocruz anunciou na quinta-feira (21) um acordo, em parceria com a empresa alemã Merck e a brasileira Nortec Química, para transferência de tecnologia que permitirá a produção nacional de medicamento para esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR), ampliando o acesso ao tratamento via Sistema Único de Saúde (SUS).
Essa iniciativa promete fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis) e reduzir significativamente os custos de aquisição da cladribina oral — vendida como Mavenclad —, atualmente próximos de R$ 140 mil por paciente ao longo de cinco anos.
Avanço na política de saúde
A esclerose múltipla é uma doença crônica degenerativa do sistema nervoso central que compromete o cérebro e a medula espinhal. Ela provoca sintomas neurológicos variados e potencialmente graves, incluindo cegueira, paralisia e perda de funções cognitivas.
O EMRR, tipo mais comum da condição, afeta aproximadamente 35 mil a 40 mil brasileiros, sendo 85% mulheres, que enfrentam episódios de surtos intercalados com períodos de remissão.
A cladribina representa um avanço importante por ser o primeiro tratamento oral de curta duração e eficácia prolongada para EMRR. Com administração de apenas 20 dias distribuídos em dois anos, a terapia oferece benefício sustentado por até quatro anos, reduzindo recaídas e retardando a progressão da enfermidade.
Estudos apresentados no 39º Congresso do Comitê Europeu para Tratamento e Investigação em Esclerose Múltipla demonstraram que pacientes tratados apresentaram redução de lesões neuronais, e 81,2% mantiveram capacidade de caminhar sem apoio ao longo de 11 anos de acompanhamento.