Partes da recente encíclica "Magnifica Humanitas", na qual o Papa Leão XIV alerta para os perigos da inteligência artificial e seu possível papel na "construção de uma nova Torre de Babel", podem ter sido escritas com a ajuda da IA, explicou na terça-feira (26) o analista Linch Zhang, que utilizou um software de detecção de IA.
No texto de 42 mil palavras, que clama para que a IA seja regulamentada e "desarmada", certos parágrafos mostram indícios de terem sido escritos entre 40% e 100% com a ajuda dessa ferramenta, afirmou o analista.
"As frases e a pontuação utilizadas pela IA são muito mais frequentes nesta encíclica papal do que em encíclicas anteriores", afirmou. Em detalhes, Zhang destacou o uso de hífens longos (127 casos, contra 26 em quatro encíclicas do Papa Francisco) e de tricolons, ou seja, séries de três palavras, frases ou cláusulas paralelas empregadas para fins retóricos.
O que a análise revelou?
Zhang afirmou que o modelo de linguagem de grande escala (LLM, na sigla em inglês) utilizado para elaborar o texto foi provavelmente o Claude, da Anthropic, cujo cofundador esteve presente na apresentação do documento e apoiou a iniciativa. O especialista citou sua própria familiaridade com o Claude e o uso excessivo de certas palavras, como "genuinamente".
Em comparação, quatro encíclicas de Francisco foram registradas como redigidas inteiramente por humanos, assim como os escritos dos papas Bento XVI e João Paulo II.
No entanto, o especialista observou que certos parágrafos parecem totalmente isentos de IA, o que sugere que alguns altos funcionários do Vaticano utilizaram intensamente essa ferramenta para a encíclica, enquanto que muitos outros, provavelmente incluindo o próprio Papa Leão XIV, não o fizeram.
"Minha hipótese preliminar é que o Papa Leão não aprova o uso da IA nas encíclicas, e é plausível que ele nem mesmo estivesse ciente do uso significativo da IA em sua própria encíclica", concluiu.