Rússia acusa Ocidente de impor 'neocolonialismo digital' com IA

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que países ocidentais usam softwares fechados e restrições tecnológicas para ampliar influência geopolítica sobre o Sul Global.

Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, denunciou nesta terça-feira (26) que o uso dainteligência artificial (IA) e da digitalização se transformou em um instrumento de influência geopolítica. Durante o Fórum Internacional de Segurança realizado em Moscou, a diplomata alertou para o avanço de uma nova forma de dependência: o neocolonialismo digital.

Segundo Zakharova, o "Ocidente coletivo" amplia e aperfeiçoa constantemente suas práticas neocoloniais no campo econômico, às quais agora se somam novas ferramentas ligadas à tecnologia.

"Diante das diferenças no nível de desenvolvimento digital entre os países do Sul Global e o Ocidente coletivo, os ocidentais aplicam justamente métodos neocoloniais para impor seus produtos de software e soluções de TI", declarou.

A diplomata apontou especialmente os EUA, que, segundo ela, atuam de forma agressiva ao impor soluções de digitalização e IA baseadas em código fechado.

Além disso, denunciou que Washington freia o desenvolvimento tecnológico de outras nações por meio de restrições comerciais e medidas de controle de exportações, ao mesmo tempo em que se opõe a qualquer regulamentação internacional que não beneficie suas grandes empresas de internet.

"Neste contexto, pode-se falar no surgimento de uma nova forma de dependência neocolonial: o neocolonialismo digital", afirmou.

A porta-voz também criticou que, embora organismos como a ONU reconheçam que "o futuro é a digitalização", não se analisa como essa transição afetará a redistribuição de recursos nem a desigualdade real existente entre os países preparados para assumir esse processo e aqueles que não conseguirão alcançar esse nível.

"O início da digitalização, que tende a se intensificar, já é reconhecido como um fato consumado", declarou.

No entanto, Zakharova ressaltou que "não se presta nenhuma atenção ao modo como será redistribuída a base de recursos, quais países estão 100% preparados para essas mudanças, quais não estão de forma alguma e quais, em princípio, jamais poderão sequer se aproximar do nível de preparação necessário, considerando a quantidade de recursos exigidos".