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Lula promete estrada 'modelo' para o mundo na Amazônia

O projeto, defendido pelo presidente do Brasil, enfrenta forte resistência por parte da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
Lula promete estrada 'modelo' para o mundo na AmazôniaGettyimages.ru / Andrew Harnik

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o projeto de asfaltamento da BR-319, rodovia que liga Porto Velho a Manaus, e afirmou que a obra poderá se tornar referência mundial em preservação ambiental. A declaração foi feita durante evento de entrega de 576 moradias do programa Minha Casa Minha Vida, em Manaus, nesta terça-feira (26).

Segundo Lula, a estrada não pode ser tratada como uma obra comum por estar localizada em uma área sensível da Amazônia. O presidente afirmou que o governo discute há meses mecanismos para garantir controle ambiental durante a execução do projeto.

"Para autorizar essa estrada, nós estamos discutindo há meses qual é o sistema de segurança ambiental mais seguro, que envolva empresários, que envolva o governo federal, que envolva o governo do estado, que envolva os prefeitos das cidades, que envolva a Polícia Federal, que envolva o Exército Brasileiro", disse Lula.

O presidente afirmou que o objetivo é impedir que a abertura da rodovia estimule a exploração ilegal da floresta. "A gente não quer que as pessoas, sem nenhum critério, desmatem a floresta para ganhar dinheiro vendendo madeira, sem levar em conta o prejuízo que a gente pode causar ao meio ambiente, que é uma coisa muito importante hoje para nós", declarou.

Lula disse ainda que a obra poderá ser conduzida com padrões ambientais superiores aos adotados em outros projetos viários.

"Nós vamos trabalhar. Eu não quero errar, Capobianco [atual Ministro de Estado do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil], mas talvez seja a estrada que vai ser feita com o maior cuidado ambiental de qualquer estrada já feita em qualquer país do mundo. Será a estrada modelo. Modelo de qualidade e de preservação ambiental", afirmou.

O projeto, no entanto, enfrenta resistência da deputada federal e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que defende uma análise mais ampla dos impactos da obra antes do avanço do licenciamento.

A avaliação teria de considerar não apenas o traçado da rodovia, mas também seus efeitos sobre a Amazônia, incluindo riscos de desmatamento, ocupação irregular de terras públicas e pressão sobre áreas protegidas.

A posição de Marina indica cautela em relação ao trecho central da BR-319, apontado como a parte mais sensível do projeto. Enquanto o governo discute formas de controle ambiental para a rodovia, a ministra sustenta que a decisão sobre a obra deve ser tomada com base em estudos capazes de medir seus impactos regionais.