Dormir o tempo necessário, mas acordar com a sensação de exaustão, é um problema recorrente que ganha novas explicações científicas.
Em reportagem publicada na sexta-feira (22) no Metrópoles, especialistas alertaram que a ocorrência de pesadelos intensos pode ser o principal responsável por esse esgotamento, transformando o período de descanso em um estado de alerta contínuo para o cérebro.
Diferente de um sono tranquilo, a noite marcada por sonhos aterrorizantes impede que o organismo complete seu ciclo de recuperação.
Segundo o médico do sono Ícaro Alves, o grande vilão é a interrupção da fase REM — estágio essencial para a consolidação da memória e o equilíbrio emocional.
Durante esses episódios, ocorrem microdespertares que fragmentam a arquitetura do sono, impedindo que o corpo atinja o descanso profundo.
O fenômeno não é apenas psicológico, mas fisiológico. A neurologista Carolina Alvarez explica que o cérebro interpreta o pesadelo como uma ameaça real.
Isso desencadeia uma resposta de sobrevivência, liberando hormônios do estresse que elevam os batimentos cardíacos e a sudorese.
O resultado é um organismo que, embora parado, permanece em tensão, gerando irritabilidade, falta de foco e lapsos de memória no dia seguinte.
Para a psiquiatra Neusa Aita Agne, existe um ciclo vicioso: o estresse crônico e a ansiedade do cotidiano mantêm o cérebro hiperativo, o que eleva a chance de pesadelos, que, por sua vez, geram mais ansiedade.
Os especialistas recomendam atenção redobrada quando o medo de dormir ou a sonolência diurna excessiva se tornam constantes, sugerindo a busca por avaliação médica especializada para investigar a raiz do distúrbio.