A visão do Irã em relação aos Estados Unidos é realista e acompanhada de desconfiança, afirmou no domingo (24) agência Tasnim, citando uma fonte a par do assunto.
"Não há nenhum otimismo por parte do Irã em relação aos EUA, e a troca de mensagens por meio do mediador paquistanês também ocorre constantemente levando em conta a desconfiança em relação ao governo americano", declarou.
A fonte afirmou ainda que, até o momento, não houve um entendimento final e que persistem divergências em alguns pontos.
"Mas mesmo que se chegue a um entendimento inicial, isso não significa uma mudança na visão de Teerã em relação a Washington nem confiança no cumprimento de compromissos por parte desta administração", acrescentou.
Segundo a fonte, "os americanos têm um histórico muito ruim em negociações, o que reforça e consolida a desconfiança".
"Por isso, mesmo que se alcance algum entendimento, o Irã monitorará as ações dos EUA durante o processo posterior ao anúncio do acordo e, se os EUA descumprirem seus compromissos nessa etapa, o Irã manterá sua capacidade para enfrentá-los", resumiu.
Negociações
No sábado (23), Trump afirmou que, após uma conversa por telefone "muito boa" com líderes do Oriente Médio, um acordo de paz com o Irã está próximo. Segundo ele, os "detalhes finais" do acordo estão sendo debatidos e o Estreito de Ormuz será reaberto.
Apesar disso, o presidente norte-americano voltou a ameaçar Teerã ao afirmar que há "50/50" de chances de alcançar um acordo ou "fazê-los voar pelos ares" com a retomada da guerra.
O portal Axios informou que a proposta em negociação prevê a extensão do cessar-fogo por 60 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz. Em resposta, o comandante iraniano Ali Abdollahi Aliabadi afirmou neste domingo que o Irã reagirá de forma "devastadora" a qualquer agressão dos Estados Unidos.
Segundo o Axios, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, demonstrou preocupação após conversar com Trump sobre a nova proposta de acordo com o Irã.