
Brasil negociou com firmeza enquanto Europa "agravou situação" com Trump, diz ministro da Fazenda

O ministro da Fazenda e sucessor de Fernando Haddad, Dario Durigan, avaliou que a União Europeia intensificou as tensões comerciais com os Estados Unidos ao responder de maneira precipitada às tarifas impostas por Donald Trump.

Em declaração ao jornal francês Le Grand Continent, publicada na quinta-feira (21), o ministro destacou que o governo brasileiro optou por uma abordagem distinta, caracterizada pela moderação e pelo diálogo, evitando medidas retaliatórias mesmo diante das sobretaxas norte-americanas.
O país se posicionou politicamente como uma nação autônoma que não merecia o tratamento dispensado, avaliou Durigan, mantendo firmeza sem abandonar o caminho diplomático. Essa postura permitiu que o Brasil navegasse pela crise sem aprofundar o conflito comercial.

Segundo ele, a diferença fundamental entre as estratégias brasileira e europeia residiu na paciência demonstrada pelo Brasil. Embora o país tenha contestado formalmente a decisão de impor tarifas, preferiu não contra-atacar com medidas equivalentes.
O ministro ressaltou que a tentativa europeia de alcançar rapidamente um entendimento com os Estados Unidos pode ter, paradoxalmente, deteriorado a situação comercial entre os blocos.
As tarifas norte-americanas chegaram a alcançar 50% sobre produtos brasileiros, combinando uma taxa global de 10% com sobretaxas adicionais de 40%, vigentes desde agosto de 2025. Após negociações iniciadas oficialmente em outubro, Trump anunciou reduções em novembro do mesmo ano. Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte norte-americana derrubou as sobretaxas adicionais, permanecendo apenas a tarifa global de 10% aplicada universalmente.
Agenda estratégica
Durante a entrevista, o ministro também explicou que o Brasil busca atrair investimentos internacionais sob condições de respeito à soberania nacional e às regras estabelecidas pelo país.
"Nosso país é um líder mundial que merece o respeito de todos, e queremos manter boas relações com todos. Foi isso que o presidente Lula disse a Trump quando o visitamos algumas semanas atrás", afirmou Durigan. Para ele, essa postura pragmática permitiu ao Brasil negociar com diversos parceiros, da China aos Estados Unidos, sempre priorizando seus próprios interesses.
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O ministro defendeu que o Brasil não deve repetir erros históricos de simplesmente exportar matérias-primas brutas, buscando uma estratégia de ascensão na cadeia de valor, industrializando minerais críticos através de refino e transformação no próprio território nacional.
Ele enfatizou que investimentos estrangeiros são bem-vindos, mas devem trabalhar com talentos brasileiros e respeitar a autonomia do país, estabelecendo parcerias mutuamente benéficas.
Questionado sobre possíveis interferências estrangeiras nas eleições brasileiras previstas para outubro, Durigan demonstrou confiança nas instituições democráticas do país. O ministro ressaltou que a condenação de Bolsonaro prosseguiu normalmente apesar das pressões geopolíticas, reforçando a autonomia do poder judiciário brasileiro.
Ele garantiu que o país dispõe de mecanismos robustos para proteger o processo eleitoral, incluindo autoridade eleitoral forte e capacidade comprovada de regular conteúdos em redes sociais quando necessário.


