Notícias

Brasil e EUA estabelecem prazo de 30 dias para destravar impasses comerciais

O presidente Lula reuniu-se com Donald Trump na Casa Branca para distender as relações entre Brasil e EUA; a pauta incluiu combate ao crime organizado, investimentos, minerais críticos e questões geopolíticas.
Brasil e EUA estabelecem prazo de 30 dias para destravar impasses comerciaisBrazilian Government / Ricardo Stuckert / Handout/Anadolu

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornou ao Brasil na madrugada desta sexta-feira (8) após reunião com o presidente norte-americano Donald Trump na Casa Branca, na quinta (7).

Segundo informações do Metrópoles nesta sexta, o encontro foi marcado por um esforço para "distensionar" as relações entre Brasil e Estados Unidos. 

Com duração aproximada de três horas, a agenda focou em temas estratégicos para o Palácio do Planalto, buscando consolidar uma nova fase de cooperação diplomática.

Agenda abrangente

A pauta do encontro foi ampla, abrangendo desde o combate ao crime organizado e investimentos até questões de alta relevância geopolítica, como o cenário no Irã.

No campo econômico, os principais temas foram minerais críticos, terras raras e a revisão de tarifas comerciais que incidem sobre produtos brasileiros.

Apesar das divergências técnicas entre as delegações, houve avanço no diálogo sobre as taxas de importação. Ficou estabelecido um prazo de 30 dias para que as equipes de ambos os países negociem uma solução comercial. O objetivo central é resolver impasses que podem resultar na imposição de novas tarifas comerciais.

O governo brasileiro busca encerrar uma investigação aberta pelos Estados Unidos em julho do ano passado, sob a Seção 301 da Lei de Comércio, que apura possíveis "práticas desleais" relacionadas a questões como o Pix, o etanol, o desmatamento ilegal e a propriedade intelectual.

Embora o tema não tenha sido abordado diretamente por Trump durante o encontro, a resolução dessa pendência é vista como crucial para a estabilidade comercial.

Brasil não abre mão da soberania e da democracia

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, antecipou que novas reuniões ocorrerão nas próximas semanas, com delegações dos dois países.

Além do campo tarifário, o presidente brasileiro cobrou uma presença maior de empresas americanas em licitações brasileiras, argumentando que, atualmente, o setor é dominado por investidores chineses.

Apesar do impasse, o presidente demonstrou otimismo ao afirmar que deseja retomar o status de parceiro estratégico de Washington.

Lula afirmou ainda que, embora temas econômicos sejam negociáveis, o governo brasileiro não abre mão da soberania e da democracia.